sexta-feira, 27 de julho de 2012

Alcobaça



O que de notável a fachada do mosteiro tem, é a perfeita integração dos seus diferentes estilos, tanto mais que o barroco com que culmina não faz qualquer esforço para se aproximar do gótico do portal. É verdade que este é diminuido na sua possibilidade de competição com os restantes elementos da fachada pelo facto de ter as arquivoltas lisas, sem decoração, e estar ladeado por pilastras brancas. O conjunto, portanto, apresenta uma organização e uma movimentação barroca que as duas janelas manuelinas que enquadram a rosácea não modificam. As torres sineiras são o triunfo do estilo, repetido até à exaustão por todo o País. Saramago, Viagem a Portugal, p. 297.




Lá chegamos depois do almoço; as crianças cansadas e o sol estourando. O mosteiro me interessou mais por guardar os restos de D. Pedro e Dona Inês, os imortais amantes que esperam o fim do mundo para se levantarem e continuarem o amor no ponto em que os "brutos matadores" o cortaram, se tais continuações se tolerarem no céu. Por isso, explica o senhor Bernardino, cada túmulo está em um lado, cada par de pés virado para o outro - cada um verá o outro ao se levantar no dia do Juízo Final. Concordo com o viajante: estas altas arcas tumulares praticamente escondam ao exame a sua parte mais importante, o jazente, só visível em difíceis perfis e escorços.

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