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Mostrando postagens com o rótulo Tradução

O nó górdio de Frederico Lourenço

Neste  artigo de José Pacheco Pereira, no Público , um elogio a Frederico Lourenço, tradutor da edição da Odisséia da Companhia das Letras/Penguin, e que acaba de receber o Prêmio Pessoa. E um lamento pela decadência da cultura clássica na Europa (ainda que Churchill já tivesse percebido isso há mais de cinquenta anos): O prémio a Frederico Lourenço, no entanto, não nos deve iludir. O mundo sobre o qual ele estuda, escreve e traduz é cada vez menos presente no espaço público do saber, onde cada vez menos se sabe sobre o mundo clássico, e, embora nunca se soubesse muito comparado com os países da Reforma, também cada vez menos se sabe sobre a Bíblia. Não nos devemos iludir quanto ao valor que a escola, a universidade, a sociedade, a comunicação – já para não falar das chamadas “redes sociais” – e a política hoje dão às humanidades e aos estudos clássicos. Esse valor é quase nulo. Pelo contrário, é entendido como um conhecimento inútil, que justifica o corte de financiamentos, a...

O pecado do padre Ondrej, de Jaroslav Hasek

Tradução a partir da versão inglesa: Padre Ondrej estava agora em seu décimo oitavo ano no Purgatório e ainda não entendia o porquê. Seu caso ainda não havia alcançado a sentença final, embora a pressão das almas chegando ao Purgatório tenha aliviado nos últimos dois anos. A maioria das almas hoje em dia faz apenas uma rápida parada por lá e é então conduzida, rangendo os dentes, para o Inferno. De vez em quando, ele criava coragem para perguntar a um dos Anjos da Guarda: “Por que os senhores continuam me prendendo aqui? ” Eles encolhiam suas asas e diziam: “Seu caso ainda não foi decidido, Senhor Reverendo.” Essas palavras o deixavam desconfortável, como apenas uma alma no Purgatório poderia sentir, pois não lhe constava ter cometido qualquer pecado. Ele era um exemplo de manual de um padre venerável. Durante sua estadia na Terra, encaixou-se na descrição em cada particular: os longos cabelos brancos, a voz trêmula de um ancião, a pureza moral, Primeira Classe. ...

A alfândega austríaca, de Jaroslav Hasek

Minha tradução de um conto de Jaroslav Hasek, a partir de The Bachura Scandal and other stories and sketches, na tradução para o inglês de Alan Menhennet.      Estava em Dresden e, um dia, perambulando pelos arredores da cidade, fui atropelado por um trem expresso. Fiquei tão retalhado que foi necessário um ano e meio para me juntarem novamente. Eu planejava retornar a Praga em quatro dias, mas fiquei em Dresden por mais de dezoito meses.     Estamos todos nas mãos de Deus, é claro, mas eu também estive nas mãos dos médicos.     Eu era uma figura medonha. Até hoje, não sei o quanto de mim é realmente meu. Tudo o que sei é que eu fui artificialmente reconstruído por dezoito médicos e cinquenta e dois assistentes. E que eles fizeram um excelente trabalho. Recebi um atestado detalhando minhas partes reconstituídas, de modo que eu me qualificaria para apoio como inválido, e esse atestado tinha quatorze páginas.   ...

Nova tradução: O cachorrinho lilás na tela branca, de David Dephy

Na última quarta, dia 25 de março, a editora Lumme lançou o conto O cachorrinho lilás na tela branca e o romance Os jardins e o pandemônio , ambos de David Dephy. Infelizmente, não deu para participar do evento do lançamento e fazer a leitura em São Paulo. Um estranho cachorrinho lilás chama a atenção de um artista. Ele quer levá-lo ao seu ateliê, mas as coisas não dão muito certo...