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Mostrando postagens com o rótulo Luchino Visconti

Noites brancas, de Dostoievski

Mais novo, sempre lia algum autor russo nos escaldantes meses de verão do Rio. Todos podiam estar se dissolvendo à minha volta, mas havia um certo consolo em ler alguma história passada numa São Petersburgo ou numa Moscou - para não falar de algum ponto esquecido na Sibéria - congelada pelo tal General Inverno.  No final de semana anterior ao Natal, finalmente leio Noites brancas, um daqueles livros que conhecemos antes mesmo de termos lido. Entre duas excelentes opções disponíveis para o leitor brasileiro, fiquei com a edição da Companhia Penguin, com a tradução de Rubens Figueiredo (um luxo, aliás, termos agora que escolher qual das boas edições da 34 ou da Companhia das Letras). O problema de traduzir do russo não foi exclusivo do Brasil. Carpeaux já reclamava: Dostoievski apareceu aos europeus ao lado de Turgeniev e Tolstoi; e nada mais natural do que a confusão entre eles: as traduções medíocres e pouco exatas não permitiram descobrir a imensa diferença dos es...

L'Étranger, de Albert Camus

Ler Albert Camus é, para quem está estudando francês, uma oportunidade de ler no original um autor moderno, com uma linguagem mais próxima daquela usada hoje. E é, também, uma oportunidade de ler um dos clássicos do século XX.  Camus (1913-1960) nasceu na Argélia e ganhou o Nobel de Literatura de 1957 (como um autor francês “não-metropolitano”, de acordo com a Academia Sueca). É um livro conciso (a edição brasileira da Record tem cerca de 130 páginas); seus personagens não são muito desenvolvidos e são, acima de tudo, pessoas comuns. O enredo é conhecido até por quem não o leu. Mersault, o personagem central, é  um indiferente: foi assim que recebeu a notícia da morte de sua mãe; foi assim que foi ao cinema logo depois do enterro e mesmo quando comete o assassinato de um árabe. Sua condenação também não o altera. Ele não tem nenhuma vontade ou ambição – ele até aceita se casar, já que faria Marie feliz - mas simplesmente assiste ao passar dos dias... ...

Vagas Estrelas da Ursa (1965), de Luchino Visconti

Prosseguindo o meu “Festival Visconti”, assisti a Vagas Estrelas da Ursa, título extraído do verso de um poema de Giacomo Leopardi. Sandra (Claudia Cardinale) e o marido Andrew (Michael Craig) partem para Volterra – essa viagem, de carro, logo no início do filme, é um dos seus pontos altos.  Uma viagem no tempo, passando por monumentos da civilização etrusca. Também é uma viagem ao passado de Sandra. Volterra está sendo destruída pela erosão e o tempo. Visconti tem como tema recorrente a decadência da famílias tradicionais. Lá, Sandra e seu irmão Gianni (Jean Sorel) passaram a infância. O objetivo é a homenagem a seu pai, judeu morto em Auschwitz. Há a suspeita de que tenha sido delatado pela mulher (Marie Bell), a mãe dos irmãos, com seu então amante e agora marido Antonio Gilardini (Renzo Ricci). Em alguns momentos, a mãe se queixa do sangue judeu da filha... Andrew irá descobrir uma relação nada cômoda entre os irmãos. A cena do encontro de ambos no jardim é bastante suges...

Senso (1954), de Luchino Visconti

Esta semana assisti ao filme Senso, de Visconti (1954). Alida Valli é a condessa Serpieri, que inicia um caso com o tenente austríaco Franz Mahler (Farley Granger), na Veneza de 1866, nos últimos dias do domínio austríaco sobre a região. A unificação da Itália está a caminho, ainda que o episódio abordado na história, a batalha de Custoza, tenha sido um desastre para os nacionalistas. Curiosamente, é dele outro filme passado na cidade, A Morte em Veneza, com música de “outro” Mahler... A abertura do filme se dá no La Fenice , com a encenação da ópera de Verdi – Il Trovatore ; os italianos deliram com a encenação e os austríacos torcem o nariz. O primo da condessa, Roberto Ussoni, é o líder dos nacionalistas italianos; o conde é um situacionista nato – apóia os austríacos mas, lá pelas tantas do filme, já quer se ajeitar no futuro governo italiano que se aproxima. A cena em que o tenente segue a condessa pela noite em Veneza, ao som da Sétima Sinfonia de Bruckner , é das melhores do...