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Mostrando postagens com o rótulo Franz Kafka

Israel e Kafka

Na matéria que saiu no  El País (Brasil) , o fim de um longo processo judicial. O Tribunal de Tel Aviv determinou que os manuscritos de Kafka devem permanecer com a Biblioteca Nacional de Israel. O processo envolveu vários personagens: Kafka deixou seu material escrito para Max Brodi, que por sua vez o entregou à sua secretária Esther Hoffe, com a obrigação de que o entregasse a um arquivo público. No entanto, Hoffe descumpriu a vontade do chefe (que por sua vez descumpriu a de Kafka - não era para atear fogo em tudo?) e leiloou os manuscritos e documentos, faturando alguns milhões... Alguns documentos terminaram no Arquivo Alemão de Literatura. Em 2007, com a morte de Hoffe, iniciou-se a batalha judicial entre suas herdeiras (que receberam os documentos em legado), apoiadas pelo Arquivo Alemão, e a Biblioteca Nacional, apoiada por Israel. Um processo kafkiano.

Conto da semana, de Franz Kafka

Prova de que até meios insuficientes - infantis mesmo podem servir à salvação: Para se defender das sereias, Ulisses tapou os ouvidos com cera e se fez amarrar ao mastro. Naturalmente - e desde sempre - todos os viajantes poderiam ter feito coisa semelhante, exceto aqueles a quem as sereias já atraíam à distância; mas era sabido no mundo inteiro que isso não podia ajudar em nada. O canto das sereias penetrava tudo e a paixão dos seduzidos teria rebentado mais que cadeias e mastro. Ulisses, porém, não pensou nisso, embora talvez tivesse ouvido coisas a esse respeito. Confiou plenamente no punhado de cera e no molho de correntes e, com alegria inocente, foi ao encontro das sereias levando seus pequenos recursos. As sereias entretanto têm uma arma ainda mais terrível que o canto: o seu silêncio. Apesar de não ter acontecido isso, é imaginável que alguém tenha escapado ao seu canto; mas do seu silêncio certamente não. Contra o sentimento de ter vencido com as próprias forças ...

Conto da semana, Poseidon, de Kafka

Poseidon estava sentado à sua mesa de trabalho e fazia contas. A administração de todas contas. A administração de todas as águas dava-lhe um trabalho infinito. Poderia dispor de quantas forças auxiliares quisera, e com efeito, tinhas muitas, mas como tomava seu emprego muito a sério, verificava novamente todas as contas, e assim as forças auxiliares lhe serviam de pouco. Não se pode dizer que o trabalho lhe era agradável e na verdade o realizava unicamente porque lhe tinha sido imposto; tinha-se ocupado, sim, com frequência, em trabalhos mais alegres, como ele dizia, mas cada vez que se lhe faziam diferentes propostas, revelava-se sempre que, contudo, nada lhes agradava tanto como seu atual emprego. Além do mais era muito difícil encontrar uma outra tarefa para ele. Era impossível designar-lhe um determinado mar; prescindindo de que aqui o trabalho de cálculo não era menor em quantidade, porém em qualidade, o Grande Poseidon não podia ser designado para outro cargo que não compo...

3 de julho é dia de Franz Kafka

3 de julho. Em 1883, nasceu Franz Kafka. O destino de Kafka foi transmudar as circunstâncias e as agonias em fábulas. Escreveu sórdidos pesadelos em um estilo límpido. Não em vão era leitor das Escrituras e devoto de Flaubert, de Goethe e de Swift. Era judeu, mas, que eu me lembre, a palavra 'judeu' não consta em sua obra. Ela é intemporal e talvez eterna (J. L. Borges, Biblioteca Pessoal). Seu O Processo deveria ser leitura obrigatória nas faculdades de Direito, ainda que eu ache que o impacto e o estranhamento causados num estudante inglês ou americano sejam maiores do que no brasileiro - e a culpa, obviamente, não é de Kafka. Mas muito do seu pesadelo burocrático é rotina por aqui. A melhor versão para o cinema é, disparado, esta, de Orson Welles, com o próprio, Anthony Perkins e Romy Schneider, de 1962: No final, o próprio Welles lê os nomes dos atores para terminar: Eu fiz o papel do advogado, escrevi e dirigi este filme. Meu nome é Orson Welles....

Pequena Fábula, de Kafka

Pequena Fábula, de um dos heróis da Biblioteca, na tradução de Modesto Carone. O desenho acima é do americano Peter Kuper, em Desista!, HQ baseada na obra de Kafka e publicada pela Editora Conrad: - Ah - disse o rato - o mundo torna-se a cada dia mais estreito. A princípio era tão vasto que me dava medo, eu continuava correndo e me sentia feliz com o fato de que finalmente via à distância, à direita e à esquerda, as paredes, mas essas longas paredes convergem tão depressa uma para a outra, que já estou no último quarto e lá no canto fica a ratoeira para a qual eu corro. - Você só precisa mudar de direção - disse o gato -e devorou-o.