a máquina de fazer espanhois, de valter hugo mãe. Cosac Naify, 2011 “ passados vinte e três dias, a elisa e o meu genro vieram visitar-me, traziam os meus netos, o miúdo e a miúda, e eusenti que já não poderia adiar mais o encontro. assim que entraram em meu exíguo quarto, as portadas abertas para mostrarem que vivemos em profunda claridade, fizeram fila no correr do roupeiro e permaneceram esticados como para revista de tropas. verifiquei que estavam de gala, todos adomingados para me verem e eu imaginava bem a elisa a dar ordens precisas sobre isso. quero-vos arranjados porque vamos ver o avô. e eu senti-me um idiota por ter julgado algum dia que as visitas iam ser constantes, coisa do cotidiano, para que eu acreditasse ainda na união da família. que idiota fui, de facto, assumindo ali diante deles que se punham embonecados no disparate de acharem que assim devia ser para irem ver quem outrora viam todos os dias. era como transformarem-me num passeio aborrecido, igual a met...
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