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Mostrando postagens com o rótulo Alice Munro

Manguel sobre Munro

Quando a conheci, me decepcionei. Não queria falar de literatura, muito menos de sua obra; apenas aventurava algum juízo sobre algum livro que havia lido, mas raramente sobre um contemporâneo. Por outro lado, me dei conta de que observava cada detalhe da gente que nos cercava, os gestos que eu fazia, alguma particularidade do café em que estávamos. Em um dos seus melhores contos, Material, uma escritora sentada junto ao leito de um hospital em que sua mãe está agonizando não pode evitar de pensar em como utilizará esta cena em um conto. Imagino que para Alice Munro, assim é a vida: um exercício de observação da resignação, da angústia, da felicidade, da dor dos outros e dela mesma, para depois oferecer aos seus leitores estas pequenas obras-primas em que todos os nossos mundos estão refletidos. Alberto Manguel sobre Alice Munro. O artigo, em espanhol, foi publicado no jornal El País, e pode ser lido  aqui.

Conto da semana, de Alice Munro

Sim, claro. Numa semana em que a Academia sueca homenageia, pela primeira vez, o gênero, o conto da semana só poderia ser da nobelizada canadense Alice Munro - de quem já se disse se tratar do Chekov canadense. Não havia lido nada dela até agora. Mas em todas as minhas antologias de contos americanos ela está lá. E a primeira curiosidade: os americanos, que adoram falar mal do Canadá, costumam se apropriar de alguns canadenses - Saul Bellow, também Nobel, terminou se naturalizando norte-americano. Provavelmente pelo fato de ela ter publicado seus contos, ao longo de décadas, em revistas como a New Yorker .  Aqui, o acesso a cerca de uma dúzia de contos, todos em inglês. Há alguns anos o presidente da Academia criticou a literatura americana como insular. Os americanos resolveram de alguma forma - americanizaram, há muitos anos, Munro. Munro nasceu no Canadá e viveu por muitos anos no seu interior.  Hoje vive em Clinton, Ontario. Isso está presente nos seus text...