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Hereges, de Leonardo Padura

Leonardo Padura realizou outra grande e detalhada pesquisa histórica para nos lembrar da história do S.S Saint Louis. O navio zarpou de Hamburgo, em 1939, com mais de 900 judeus desesperados por um abrigo que lhes permitisse escapar do já conhecido destino reservado aos judeus pelos alemães. Cuba já possuia uma comunidade judaica importante. Na década de 20, parte significativa dos judeus de Kirklareli, no finado Império Otomano, passaram por lá - muitos ficaram, outros partiram para os Estados Unidos e até para cá..., mas isso é assunto para outro momento. O fato é que, por pressão americana (os EUA só entrariam na guerra no final de 1941), Cuba foi forçada a negar o asilo, ao cobrar dos refugiados tamanha soma de dinheiro que, na prática, fez com que o navio retornasse para Hamburgo da forma como veio. Desesperados, os passageiros saltavam ao mar. O navio também foi expulso dos EUA e do Canadá. Escrito antes do estouro da crise de refugiados de 2015, é impossível ...

Novo livro de Padura

Daniel Kaminsky levaria vários anos para se habituar ao barulho esfuziante de uma cidade que se levantava sob a mais indisfarçada algaravia. Havia descoberto logo que ali tudo se tratava e se resolvia aos gritos, tudo rangia por causa da ferrugem e da umidade, os carros avançavam entre as explosões e o ronco dos motores ou os longos bramidos das buzinas, os cães latiam com ou sem motivo e os galos cantavam até a meia-noite, enquanto cada vendedor anunciava sua presença com um apito, um sino, uma corneta, um assovio, uma matraca, uma flauta de bambu, uma quadrinha bem rimada ou um simples berro. Ele tinha encalhado numa cidade na qual, ainda por cima, toda noite, às nove em ponto, retumbava um canhonaço sem que houvesse guerra declarada nem muralhas para fechar, e onde sempre, sempre, em épocas de bonança e em momentos de aperto, alguém escutava música, e cantava Aqui , trecho do novo romance de Leonardo Padura, Hereges, que acaba de ser lançado no Brasil.

O homem que amava os cachorros, de Leonardo Padura

O homem que amava os cachorros Leonardo Padura Tradução de Helena Pitta Boitempo, 2014, 592 p. Um livro sobre o assassinato de Trotsky escrito por um cubano residente na ilha, recomendado pela Presidente da República e editado no Brasil por uma editora de esquerda, com um pequeno texto do Frei Betto. Nada que me dê ganas de encarar um tijolo de quase 600 páginas. Mas fui em frente e hoje concluo a leitura do que talvez seja o melhor livro que li este ano. São três cenários: O primeiro, da fuga épica do casal Bronstein - inimigo da Revolução - pelo Casaquistão, passando uma grande temporada na Turquia de Mustafá Kemal (o único a lhe abrir as fronteiras, ainda que Trotsky soubesse que não poderia ficar por lá por muito tempo) e terminando seus dias no México (Coyoacán). Em Barcelona, em plena Guerra Civil, Ramón Mercader é recrutado para executar as ordens de Stalin e se livrar do incômodo rival. E, em Cuba, Iván quer se tornar escritor e tem um encontro com um estranho ...