“ Conheci Fernando Pessoa em 1966, pela voz de João Villaret. Foi o começo de uma paixão que até hoje me encanta e oprime. Tenho mesmo a sensação de que gostava dele ainda mais naquele tempo. Talvez porque todo começo de paixão seja assim mesmo...depois arrefece; ou então, como o rio de sua aldeia, ele apenas pertencesse a menos gente. Pouco a pouco, fomos nos aproximando. Leio frases suas, hoje, como se tivesse estado ao seu lado quando as escreveu; e chego a pressentir as reações que teria perante algum fato do quotidiano. Não se deu apenas comigo. Jorge Luis Borges, 50 anos depois de sua morte, pediu: Deixa-me ser teu amigo ; e Luiz Ruffato lembra que era outono e azul quando apresentei-me a Fernando Pessoa. No íntimo, é como se continuasse vivo. Penso que será sempre assim em livros como este, que se propõem contar a história de uma vida. Ao passar dos anos, fui compreendendo melhor esse homem inquieto, o corpo frágil, a angústia da alma, a dimensão grandiosa da obra. Em Lisboa, ...
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