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Daniil Harms no Brasil

A Editora Kalinka publica pela primeira vez no Brasil um volume dedicado a Daniil Harms (1905-1942). A tradução é direta do russo.   Aqui, uma entrevista com a editora e uma das tradutoras Daniela Mountian,

Sobre Puchkin

Para quem não sabe nada de Púchkin, é difícil dizer alguma coisa sobre ele. Púchkin é um grande poeta. Napoleão é menor do que Púchkin. Bismarck, aos pés de Púchkin, também não é nada. Os Alexandres I e II, e também o III, são simplesmente umas bolhas em comparação com Púchkin. Aliás, todas as pessoas, em comparação com Púchkin, são umas bolhas, só que, em comparação com Gógol, o próprio Púchkin é uma bolha. Por isso, em vez de escrever sobre Púchkin vou antes escrever sobre Gogol. Aliás, Gogol é tão grande que é impossível escrever alguma coisa sobre ele, por isso vou escrever afinal sobre Púchkin. Porém, depois de Gogol, é um pouco aborrecido escrever sobre Púchkin. Ora, sobre Gogol é impossível escrever. Por isso acho que não vou escrever sobre ninguém. Daniil Harms, em A Velha e Outras Histórias, tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra, Assírio & Alvim, Lisboa.

Daniil Harms

O site português  Poesia & Lda  merece uma visita constante. O texto abaixo é de Daniil Harms, pseudônimo de Daniil Ivanovich Yuvachev (1905-1941): CADERNO AZUL Nº 10 Era uma vez um homem ruivo, sem olhos nem orelhas. Também não tinha cabelos, e só por convenção lhe chamávamos ruivo. Não podia falar porque não tinha boca. E nariz também não. Nem sequer tinha braços e pernas. Também não tinha barriga, nem coluna vertebral, nem mesmo entranhas. Não tinha coisa nenhuma! Por isso pergunto de quem estamos nós a falar. Desta forma é preferível nada acrescentarmos a seu respeito.