Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Radu Mihaileanu

A história do amor (2016), de Radu Mihaileanu

Não sei se já passou nos cinemas daqui, mas consegui assistir na TV a cabo a mais um trabalho do excelente Radu Mihaileanu (Trem da Vida, O Concerto, A fonte das mulheres). Este A história do amor é uma adaptação do romance da norte-americana Nicole Krauss e tem como protagonista Derek Jacobi, que interpreta Leo Gursky.  Leo deixou sua pequena vila na Europa com a chegada dos nazistas. Alma Mereminski (Gemma Arterton), sua amada, já tinha feito as malas antes. Os dois fizeram juras de amor eterno e de troca de cartas mas, por alguma razão, as cartas de Leo nunca chegaram a Alma. Leo quer ser escritor, e avisa que irá escrever sobre aquilo que mais entende: Alma. Seria o romance A história do amor. Décadas depois, Leo é um idoso que vive em Chinatown, num apartamento microscópico, com o amigo Bruno Leibovitch (Elliot Gould). Passa os dias sacaneando a atendente do café, uma jovem alemã, entornando café (Leo não gosta de alemães), ou posando nu numa escola de pintura ...

A Fonte das Mulheres, de Radu Mihaileanu

Na locadora - salvo engano, o filme não circulou nos cinemas do Brasil ou, ao menos, em Belo Horizonte - mais um filme do franco-romeno Radu Mihaileanu: A Fonte das Mulheres (2010).  Ao contrário dos dois filmes anteriores, os excelentes  Trem da Vida  e  O Concerto , aqui o humor é usado com moderação - o que não significa que não apareça, mas sempre de forma mais sutil. Uma greve de sexo, como em Lisístrata, de Aristófanes (como o próprio diretor afirmou em várias entrevistas) mas não para que os homens parem a guerra. O que elas querem é que os homens de uma pequena aldeia no norte da África se mexam e as ajudem a buscar água nas montanhas. As mulheres fazem isso à séculos, dizem todos. No trajeto, sofrem acidentes, perdem filhos ainda em gestação. Os homens, se antigamente viviam em guerras, hoje ficam no bar, conversando, bebendo e fumando. Até que Leila (Leila Bekhti) resolve dar um basta à situação e propõe o movimento grevista. Há momen...

O Concerto, de Radu Mihaileanu

Aproveitando as férias, consegui assistir à única sessão diária (14:30h) do filme O Concerto, de Radu Mihaileanu (Trem da Vida, que já comentei aqui).   Novamente, um grande filme. Andrei Filipov (Aleksey Guskov) foi maestro da orquestra do Bolshoi, mas há 30 anos fora demitido, em pleno concerto, por haver contratado músicos judeus. Agora, já na Rússia capitalista, é faxineiro do mesmo teatro quando, acidentalmente, descobre um fax, através do qual o Teatro Chatelet, em Paris, convida o Bolshoi para uma apresentação. Resolve, então, “se apropriar” do convite, e monta uma orquestra com os músicos judeus (e ciganos – essa combinação já estava presente em Trem da Vida ) e vai a Paris, para o espetáculo. Mas qual seria a razão deste empenho todo? Sabemos que insiste na presença da virtuose francesa do violino, Anne-Marie Jacquet (Mélanie Laurent, a Shosana de Bastardos Inglórios ). Como no primeiro filme, aqui temos um humor fino e ao mesmo tempo melancólico. Os novos-ricos ma...

Trem da Vida, de Radu Mihaileanu

A Revista Bravo deste mês informa o lançamento, em DVD, de Trem da Vida , de Radu Mihaileanu (1998). Trata-se, na verdade, de seu relançamento. Peguei na locadora neste sábado e assisti ontem. O filme foi muito elogiado não só pela crítica como também pelo público, e é fácil entender o porquê.  Num shetl da Europa Oriental em 1941, o bobo da aldeia Schlomo chega com a notícia de que os nazistas iniciaram as prisões e deportações de judeus nos vilarejos vizinhos, e sugere uma ideia inusitada – a simulação da própria deportação, e fugir para a Palestina. Assim, uma parte da aldeia faz o papel dos alemães – curioso: este papel era para os mais qualificados, aqueles que “mereciam” ser alemães. Outros, os deportados. E uns, ainda, viram comunistas (acabam realmente acreditando nisso...). Para isso, precisam construir um trem, e todos doam seus bens para arrecadar fundos para a compra de uma locomotiva. E iniciam a jornada. Há momentos hilários, como o “tenente coronel alemão” (Ruf...