Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Philip Roth

Complô contra a América

A minissérie em seis episódios dirigida por David Simon e que passou em abril na HBO é simplesmente a melhor adaptação de um livro de Philip Roth. Sua obra, de fato, não vinha sendo muito bem tratada pelo cinema. A adaptação de um de seus melhores livros,  A marca humana (The Human Stain)  foi decepcionante (Anthony Hopkins não convence como Coleman Silk).  A série faz algumas alterações em relação ao livro. A única que, para mim, não se justifica, é a substituição da família Roth pelos Levins... afinal, o Philip é um Philip Roth... Outras, no entanto, conseguem soluções até melhores: Roth imaginou que, após o desaparecimento de Lindbergh, os americanos votariam convictamente nos democratas. Mas no último episódio há, digamos, uma necessidade de se garantir essa vitória... Como no livro, temos personagens deslumbrados com um falso acesso ao poder, outros com medo de uma repetição, na América, do que acontecia na Europa, fora aqueles crentes em tudo o preside...

Imobiliária da Biblioteca: o apartamento de Philip Roth à venda

Pela bagatela de 3,2 milhões de dólares, você pode comprar o apartamento de Philip Roth no Upper West Side (West79th Street). É próximo ao Museu de História Natural. Inicialmente, foi usado como studio - Roth vivia a poucos quarteirões de distância, quando ainda casado com Claire Bloom. Depois da separação, Roth passou para sua fazenda em Connecticut, indo ao apartamento em suas raras visitas a Nova York. Você pode ler mais sobre o apartamento  nesta matéria publicada no Wall Street Journal.

Philip Roth (1933-2018)

Meses depois de  Aharon Appelfeld , a quem entrevistou, morreu no último dia 22 o maior de todos, Philip Roth.  Ironicamente, não haverá Nobel de Literatura este ano. A Academia, que tanto esnobou o autor de Pastoral Americana, Operação Shylock e Complexo de Portnoy , está envolvida em escândalos sexuais. Outra ironia: muitos detratores de Roth se incomodavam com seus textos e o chamavam de misógino, machista, sexista... enfim, uma besteira que diz muito mais a respeito da Academia do que de Roth.  Como escrevi quando comentei a biografia de Roth ( Roth Libertado , de Claudia Pierpoint Roth), "Claire Bloom, por exemplo, ao se separar do escritor, lançou um livro de memórias que definitivamente consolidou uma percepção não muito favorável da pessoa de Roth no grande público.  Pode explicar, por exemplo, a recusa da Academia em conceder-lhe o Nobel. Em tempos politicamente corretos, não parece muito provável a premiação de um americano acusado de misogin...

O complexo de Portnoy, de Philip Roth

Este blog nasceu em 2011, quando Philip Roth já havia pendurado a caneta. De minha parte, comecei a ler sua obra a partir de 2000, com Operação Shylock (1993). Este ano, numa homenagem privada, depois do papelão sueco, resolvi ler aquele que, para muitos, é o seu melhor livro: O complexo de Portnoy, de 1969. Escrito no auge da revolução sexual, é para mim um dos livros mais divertidos e engraçados que conheço. Há, sim, algo de Woody Allen na história de Alexander Portnoy, que narra sua vida, suas neuroses e suas frustrações ao psicanalista (que nada fala), o dr. Spielvogel. A mãe judia, o pai que trabalhava numa corretora de seguros (como, aliás, o pai de PR), a irmã obesa. A namorada culta não é boa de cama; a namorada liberada é simplesmente "inapresentável" intelectualmente - o que me lembra uma versão muito mais divertida de Cabeças Trocadas e Thomas Mann. E seu ataque frustrado a uma jovem do exército israelense... aliás, Roth é criticado com frequência pelas ...

Bellow e Roth

Às vésperas do anúncio do Nobel de Literatura de 2016, um excelente texto de Isabel Lucas, no caderno Ipsilon, que pode ser lido aqui. Um trecho:   Philip Roth e Saul Bellow conheceram-se em Chicago em 1956. Roth era estudante na Universidade de Chicago, e Bellow "um dos seus entusiasmos literários", como o definiu em  Os Factos. Foi em Chicago que leu  Augie March  e viu um exemplo do génio de Bellow, para ele “o grande libertador do tradicional confinamento da literatura judaica”, lê-se em Roth Unbound . Entre outras coisas, foi também evidente que “a experiência judaica podia ser parte da literatura americana”. Zachary Leader, autor da biografia  The Life of Saul Bellow , cuja primeira parte foi publicada em 2015 (sem tradução em Portugal), referiu agora ao PÚBLICO que para Bellow era claro que como escritor “estava em melhor posição enquanto judeu na América do que um judeu na Europa”. Porquê esta afirmação? “Apesar dos alertas e das ...

Roth, livros e filmes

No lugar do mundo literário nova-iorquino, que ele nunca lamentou deixar para trás, havia agora a sala de aula, que Roth sempre adorou. "É o único lugar onde eu podia falar a sério sobe livros", diz hoje, com certa nostalgia. "Em qualquer outro lugar, se você menciona um livro as pessoas começam a falar sobre filmes". Roth Libertado, de Claudia Roth Pierpont, p. 109.

Indignation, de James Schamus (2016)

E outro Roth: Indignação chega às telas na direção de James Schamus. Estrelado por Logan Lerman, o filme foi muito bem recebido na première em NY (MoMA).  

American Pastoral, de Ewan McGregor (2016)

Será lançado este ano. Será que Ewan McGregor se sai bem na sua estreia como diretor - fazendo, enfim, uma adaptação de Philip Roth como há muito se espera? McGregor, além de dirigir, interpreta o Sueco Levov; Jennifer Connely e Dawn e Dakota Fanning, Merry. É torcer para que chegue por aqui. Sai em outubro nos EUA.  

O Último Ato - The Humbling (2014) de Barry Levinson

"Ele perdera a magia", é a abertura d' A Humilhação, publicado em 2009. Aos 65 anos, Simon Axler, veterano e consagrado ator de teatro, intérprete de Shakespeare e Tchekov, começa a ficar paralisado no palco e abandona a carreira. Acaba encontrando Pegeen Stapleford (Greta Gerwig), de 40, lésbica (aparentemente, em dúvida), filha de um casal de amigos. Quando criança, era apaixonada pelo famoso ator.  O livro faz parte do último ciclo de Roth - é o seu penúltimo romance, para ser exato. Ao lançá-lo, já tinha terminado Nêmesis. O filme de Barry Levinson (que dirigiu Rain Man ) tem como ponto alto o protagonista - Al Pacino, que adquiriu os direitos para o cinema. Interessou-se pela história da crise - segundo ele, Roth certamente pensou no bloqueio criativo do escritor, e não do ator.  No livro: O pior era que ele questionava sua queda tal como questionava sua atuação. O sofrimento era terrível, e no entanto ele duvidava que fosse genuíno, o que o torn...

Philip Roth explica como escreve seus romances

Começar um livro é desagradável. Fico completamente indeciso quanto ao personagem e sua situação, e é com um personagem em determinada situação que tenho de começar. Pior do que não conhecer o assunto é não saber como tratá-lo, porque, definitivamente, isso é tudo. Datilografo inícios que ficam  horríveis, parecem mais uma paródia inconsciente de meu livro anterior do que a ruptura que pretendo conseguir. Preciso de alguma coisa que impulsione o núcleo do livro, um ímã que atraia tudo para ele – é isso que procuro durante os primeiros meses em que estou escrevendo algo novo. Com freqüência tenho de escrever cem páginas ou mais, antes de conseguir um parágrafo cheio de vida. Muito bem, digo a mim mesmo esse é o começo, parta daí: eis o primeiro parágrafo do livro. Examino detalhadamente os que escrevi nos primeiros seis meses de trabalho e sublinho em vermelho um parágrafo, uma sentença – às vezes não mais que uma frase – que contenha alguma vida e então junto tudo isso em uma pág...

De filmes e livros

No lugar do mundo literário nova-iorquino, que ele nunca lamentou deixar para trás, havia agora a sala de aula, que Roth sempre adorou. "É o único lugar onde eu podia falar a sério sobre livros", diz hoje, com certa nostalgia. "Em qualquer outro lugar, se você menciona um livro as pessoas começam a falar sobre filmes". (em Roth Libertado, de Claudia Roth Pierpoint)

Cala a boca, Philip!, (2014) de Alex Ross Perry

Nos cinemas, sem que os jornais se dêem conta, um grande filme para os leitores de Philip Roth. O resultado é bem melhor, por exemplo, da adaptação d' A marca humana, com Anthony Hopkins e Nicole Kidman. Se lembrarmos de Claudia Roth Pierpoint, o principal personagem dos livros de Philip Roth é Philip Roth. É praticamente impossível ver Jason Schwartzman no papel de um escritor egocêntrico e detestável - chamado Philip Lewis Friedman - sem se lembrar do grande escritor de Nova Jersey. Rubens Ewald Filho (que não gostou do filme) considera-o um dos personagens mais insuportáveis e detestáveis da história do cinema - no que estamos de acordo. Na lista dos 35 melhores com menos de 35" (que Philip Roth esculhambaria), mas com uma tremenda dificuldade em aceitar a recepção ao seu segundo romance, o Philip da história não se empolga com nada, acha-se o maior escritor vivo, sabota e trata mal o editor (isso para não falar dos empregados da editora) e somente se entusiasma...

Roth Libertado, de Claudia Roth Pierpoint

Roth Libertado Claudia Roth Pierpoint Tradução de Carlos Afonso Malferrari Companhia das Letras Eu não tinha este livro em mente; não tinha nada especial em mente. Eu resenhara um dos livros de Roth para a The New Yorker e acabei me tornando um dos vários leitores a quem ele mostrava seu novo trabalho antes da publicação. (Na primeira vez em que me pediu para ler um manuscrito, eu disse: "Ficaria honrada", ao que ele retrucou: "Nada de ficar honrada, por favor, senão você não vai me ajudar em nada"). Pág. 13. A única razão para Roth não ser presença constante nesta Biblioteca é o fato de ter se aposentado em 2010, após Nemesis. A cada ano manifesto minha torcida pelo seu nome para o Nobel (que não repetirei este ano, pois sei que sou pé-frio). Li muita coisa que ele escreveu, e ainda não me aventurei em outros, alguns muito importantes. A biografia de Claudia Roth (sem parentesco) Pierpoint é uma excelente oportunidade de ver a carreira do maior escr...