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Therese D. (2012)

Filmes sobre livros... Thérèse Desqueyroux é interpretada por Audrey Tautou. Gilles Lellouche é Bernard. É o último trabalho de Claude Miller, que morreu logo depois de concluí-lo. Miller, que sempre ousou ao adaptar obras literárias, preferiu uma narrativa linear - não adotando os flashbacks de Mauriac. Lançado meio século depois da versão de Georges Franju, com Emmanuelle Riva e Phillipe Noiret (quem viu Amor não pode deixar de refletir sobre o tempo...). Tatou dedicou-se à exaustão ao papel principal, estudando a fundo sua personagem. Se tem algo no filme tão intenso quanto no romance é a apatia de Thérèse.

Thérèse Desqueyroux, de François Mauriac

Ler Mauriac (1880-1975) em francês foi um desafio – mais complexo que Maupassant, Camus e o livro de Laurent Binet. Abri mão, portanto, da edição da Cosac Naify, traduzida por Carlos Drummond de Andrade. Mas valeu à pena. Inspirado no caso Blanche Canaby, de 1906, T.D. conta a história de uma mulher que se casa por conveniência com Bernard e vai viver em Argelouse. Mas o romance começa com a saída de Thérèse do tribunal – ela acaba de ser absolvida da acusação de tentativa de homicídio de Bernard, por envenenamento. O marido, no entanto, depõe a seu favor. Tudo para manter a ideia de uma família tradicional e unida, no interior da França. Ela encontra seu pai, o político Larroque, que também tinha a preocupação de encerrar esse caso... Seu casamento, aliás, foi desde o início uma fuga – ela não tem afeto sequer pela filha, e a cada dia odeia mais o marido. Na verdade, era muito amiga de Ana de la Trave, meia-irmã de Bernard. Ana tem uma relação com Azévédo que, ...