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Mostrando postagens com o rótulo Orhan Pamuk

The red-haired woman, de Orhan Pamuk

Os livros de Pamuk costumam ser longos, coisa de mais de 500 ou 600 páginas. Este, cuja edição em inglês saiu em 2017, minutos e inédito no Brasil (li no Kindle), é bem mais curto, com 250 páginas, mas os principais temas do escritor estão presentes: o conflito entre tradição e modernidade, Ocidente e Oriente. Há também um tom de fábula, bem característico da prosa pamukiana.  O personagem principal - e narrador das duas primeiras partes - é Cem. A ausência de seu pai, militante comunista nos anos 80 na Turquia (em outras palavras, vivia preso ou fugindo do cárcere) o levou a uma quase obsessão com a história grega do Rei Édipo - e do épico persa Shahnameh de Ferdowsi. Duas visões (Ocidente e Oriente) para a mesma tragédia? Um filho que nunca conheceu seu pai o encontra já adulto; nenhum reconhece o outro; ambos lutam e um deles morre - Sófocles mata o pai, já na história de Ferdowsi,  Rostan acaba assassinando o filho Sohrab. Pamuk já havia recorrido a essas duas nar...

O livro negro, de Orhan Pamuk

  O livro negro Ohran Pamuk Companhia das Letras Trad. Sergio Flaksman 2008, 515 p. Não sei se meus leitores perceberam que as águas do Bósforo estão secando. Acho que não. Enquanto nos entretemos todos com a matança desenfreada que vem tomando conta das nossas ruas, febris e entusiasmados como crianças que assistem a uma queima de fogos, quem teria tempo para ler ou descobrir o que acontece pelo mundo? Já é difícil acompanhar nossos cronistas - lemos  seus textos enquanto nos acotovelamos em nossas estações das barcas, enquanto nos aglomeramos nos pontos de ônibus repletos, enquanto bocejamos sentados nos bancos dos táxis coletivos com as letras trêmulas diante dos nossos olhos. Encontrei a notícia de que lhes falo numa revista francesa de geologia. Lançado em 1990 e publicado no Brasil em 2008, só agora cheguei a esse O livro negro, do Pamuk.  O que aconteceu com Rüya (Sonho), esposa de Galip? O jovem advogado volta para casa em Istanbul e não enco...

Uma sensação estranha, de Orhan Pamuk

Uma sensação estranha Orhan Pamuk tradução (indireta) de Luciano Vieira Machado Companhia das Letras, 2017, 590p. Esta é a história da vida e dos sonhos de Mevlut Karatas, vendedor de boza e de iogurte. Nascido em 1957 na fronteira ocidental da Ásia, numa aldeia pobre que dava para um lago enevoado da Anatólia Central, aos doze anos foi para Istambul, a capital do mundo, onde passou o resto da vida. Quando tinha vinte e cinco anos, voltou para a província natal e de lá fugiu com uma jovem, num estranho episódio que determinou o curso de seus dias.  Voltou para Istambul, casou-se, teve duas filhas e pôs a trabalhar sem desconto - vendeu iogurte, sorvete e arroz como ambulante, e exerceu o ofício de garçom. Mas à noite nunca deixou de perambular pelas ruas de Istambul, vendendo boza e sonhando sonhos estranhos. Assim começa mais um romance de Orhan Pamuk que acaba de chegar ao Brasil (quando, ao que parece, ele acaba de lançar outro, que deverá levar mais alguns ano...

O castelo branco, de Orhan Pamuk

No século XVII, um marinheiro italiano, indo de Veneza a Napoles, vê seu navio capturado pelos turcos. É feito escravo mas, graças aos seus conhecimentos de medicina (apesar de não ser médico), escapa de ser mandado para as galés e é comprado por Hoja, um professor ansioso por aprender tudo o possível sobre o Ocidente. Uma fábula em pouco menos de 200 páginas, na forma de um manuscrito descoberto, de acordo com o prefácio, por um certo Faruk Darvinoglu (filho de Darwin). Hoja é um mestre, sim, mas ao longo dos anos torna-se cada vez mais difícil saber quem é mestre de quem (o italiano ensina-lhe astronomia e engenharia e, também, controle de doenças, em meio a uma epidemia de peste). E ambos tentam desenvolver uma arma de guerra letal. Os otomanos estão em seu auge, e a guerra, aqui, é contra os poloneses, nos Cárpatos. Quem é quem? Lá pelas tantas, mais ou menos no meio do livro, ambos se olham no espelho, e o italiano reconhece: "somos uma mesma pessoa", a tal ...

O museu da inocência

O Museu da Inocência.  O museu europeu do ano (2014) - nessas horas a Turquia vira europeia...

O Museu de Pamuk ganha vida

Como já era esperado, o romancista Orhan Pamuk inaugurou, no último dia 27 em Istambul, um museu dedicado à memória dos personagens fictícios do seu romance Museu da Inocência. Lá estão os cigarros tocados por Fusun, o amor impossível de Kemal. Para o autor, "é talvez o primeiro museu baseado em um romance", e faz questão de frisar que não se trata de seu museu - como o livro não trata de sua história. O autor diz ter gasto praticamente o que ganhou com o Nobel de 2006 nesta ideia. São 83 vitrines, uma para cada capítulo do livro, que se passa na Istambul dos anos 70. 

O Romancista Ingênuo e Sentimental, de Orhan Pamuk

Convidado a participar do ciclo Charles Eliot Norton da Universidade Harvard,  Pamuk se inspirou no Sobre a Poesia Ingênua e Sentimental de Schiller (1795) para suas palestras.  Se você está cansado do discurso do fim do romance, ou meio deprimido por acreditar nisto, o livro é uma excelente pedida. Pamuk ressalta que nunca se leu e escreveu tantos romances.  O grande prazer de ler os romances, afirma, está na habilidade do leitor em ver o mundo não "de fora", mas pelos olhos dos próprios personagens. Essa capacidade diferenciaria o romance de todos os demais gêneros. Desde o início, avisa que o seu favorito é Anna Karenina. Mas falará de Guerra e Paz, além de autores como Melville (sua observação sobre o "centro" de Moby Dick é muito didática), Calvino, Borges, Nabokov, entre outros. Nunca participei de um curso de Escrita Criativa, mas imagino que eles devem ter uma linha semelhante à do livro de Pamuk.  Algumas considerações interessantes...

O Museu da Inocência, de Ohran Pamuk

ê Editora: Companhia das Letras, Tradução: Sergio Flaksman (do inglês) 568 páginas 2011 “Era o momento mais feliz da minha vida, mas eu não sabia. Se soubesse, se tivesse dado o devido valor a essa dádiva, tudo teria acontecido de outra maneira? Sim, se eu tivesse reconhecido aquele momento de felicidade perfeita, teria agarrado com força e nunca deixaria que me escapasse. Levou alguns segundos, talvez, para aquele estado luminoso tomar conta de mim, mergulhando-me na paz mais profunda, mas ele me pareceu ter durado horas, até mesmo anos. Naquele momento, na tarde de segunda-feira, 26 de maio de 1975, em torno de quinze para as três, assim como nos sentíamos além do pecado e da culpa, o mundo todo parecia ter sido liberado da gravidade e do tempo” (p. 15). A história de Kemal, de família tradicional de Istambul e que aos 30 anos está prestes a se casar com Sibel, e Füsun, uma prima distante e pobre de 18 anos é também a história da Turquia na década de 1970. A et...