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O magistrado de Chaucer

Um sábio e judicioso MAGISTRADO (os que atendem no pórtico sagrado Da catedral de Londres) lá estava: Um homem de sabedoria rara - Ou assim sugeriam seus discursos. Aquele magistral jurisconsulto Viajava com régia comissão, Ganhando universal reputação E juntando presentes, rendimentos. Usava seu legal discernimento Comprando terras ao menor tributo. Era um negociador bem vivo e arguto, E era o mais ocupado da Inglaterra. (Mas parecia ser mais do que ele era ). Sabia todo caso memorando Desde William, primeiro rei normando. Cada processo seu era obra-prima E nem o mais astuto casuísta Podia abrir-lhe brechas no argumento. Um casaco com mínimo ornamento, Cinta em seda listrada - eis o que usava, E de seus trajes não direi mais nada. Prólogo geral, Contos da Cantuária Tradução de José Francisco Botelho

Chaucer

When April with his showers sweet with fruit.  The drought of March has pierced unto the root Como Dante, ele inventou novos modelos de representação do eu, e tem com Shakespeare um pouco da mesma relação que Dante tinha com Petrarca, sendo a diferença a incrível fecundidade de Shakespeare, que transcendia até mesmo o que John Dryden quis dizer quando comentou sobre Contos da Cantuária: "Eis a abundância de Deus". Nenhum escritor, nem Ovídio, nem o "Ovídio inglês", Christopher Marlowe, influenciou tão crucialmente Shakespeare quanto Chaucer. Harold Bloom Ensaio (da edição da Companhia das Letras/Penguim Contos da Cantuária Dá angústia ver que no século XXI as palavras de um escritor do século XV seriam consideradas excessivamente irônicas por muitos.