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Ulisses e Eumeu

Ao que parece, foi encontrado o mais antigo registro escrito da Odisseia , mais exatamente uma placa com fragmento do Canto 14, aquele em que Ulisses, tendo retornado a Ítaca, reencontra o seu criado Eumeu. O achado se deu durante escavações na cidade de Olímpia e, ao que tudo indica, data do século III a.C. Ismail Kadaré escreveu o romance O dossiê H, passado na sua Albânia. Na história, dois irlandeses, Max Roth e Willy Norton, viajam na década de 30 para estudar a epopeia albanesa para descobrir a forma de composição dos dois poemas. Há uma eterna discussão: existiu um sujeito chamado Homero, que teria criado essas histórias? Muitos acreditam que não, e que o que lemos hoje seriam "obras coletivas" passadas de geração em geração por cantores épicos.  O achado em Olímpia não resolve a questão, mas é fascinante encontrarmos um registro tão antigo da epopeia. 

Odisseia

Quantas Odisséias contém a Odisséia? - pergunta Ítalo Calvino ( Por que ler os clássicos , Companhia das Letras). Acabo de ler a tradução de Frederico Lourenço da Odisséia (Companhia das Letras/Penguin). Minha versão da Ilíada é a de Odorico Mendes, o que praticamente faz com que tenha lido dois livros de dois autores diferentes. Lourenço estará em Paraty para a FLIP deste ano.  Manguel fala que os ingleses têm a sorte de dispor de duas grandes versões: a de Alexander Pope e a de Robert Fagles, ainda que reconheça a existência de numerosos desastres. E, em se tratando de um texto (?) em grego antigo, mais do que nunca é possível dizer que não lemos Homero, mas traduções de Homero. Aliás, se você estiver disposto a uma leitura, digamos, bastante completa dos dois clássicos, o livro de Manguel, publicado no Brasil pela Zahar - Ilíada e Odisséia de Homero: uma biografia - é uma excelente introdução ao mundo homérico: dificilmente você irá encontrar livro em português tão complet...

O nó górdio de Frederico Lourenço

Neste  artigo de José Pacheco Pereira, no Público , um elogio a Frederico Lourenço, tradutor da edição da Odisséia da Companhia das Letras/Penguin, e que acaba de receber o Prêmio Pessoa. E um lamento pela decadência da cultura clássica na Europa (ainda que Churchill já tivesse percebido isso há mais de cinquenta anos): O prémio a Frederico Lourenço, no entanto, não nos deve iludir. O mundo sobre o qual ele estuda, escreve e traduz é cada vez menos presente no espaço público do saber, onde cada vez menos se sabe sobre o mundo clássico, e, embora nunca se soubesse muito comparado com os países da Reforma, também cada vez menos se sabe sobre a Bíblia. Não nos devemos iludir quanto ao valor que a escola, a universidade, a sociedade, a comunicação – já para não falar das chamadas “redes sociais” – e a política hoje dão às humanidades e aos estudos clássicos. Esse valor é quase nulo. Pelo contrário, é entendido como um conhecimento inútil, que justifica o corte de financiamentos, a...

O mapa da Ilíada

O mapa aqui indica o local de origem dos personagens da Ilíada , por volta de 1.300 anos antes de Cristo . Uma boa companhia para a leitura. Minha edição é a tradução do Odorico Mendes, pela Ateliê. A Odisséia  virá pela Companhia das letras/Penguim, e pretendo ler ainda este ano.