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Mostrando postagens com o rótulo Literatura: Israel (hebraico)

O Judas de Oz

Uma entrevista com Amós Oz no jornal Público, por ocasião do lançamento, por lá, de Judas, um dos destaques deste blog em 2015. Pode ser lida  aqui. Já lhe chamaram muitas vezes traidor. Muitas. Tendo a olhar isso como uma honra. Tem acontecido a muito boa gente ao longo da História. Quando me chamam traidor sei que estou em excelente companhia.  Está a escrever?  Estou, mas tenho alguma relutância em falar disso. Quando estou “grávido” não gosto de expor a minha gravidez. Não é bom para o bebé. O seu nome aparece todos os anos como um candidato ao Nobel. Como lida com isso?  Se morrer sem receber o prémio Nobel não morrerei infeliz.  

Judas, de Amós Oz

Judas Amós Oz Tradução: Paulo Geiger Companhia das Letras, 362p. Amós Oz (1939) é um daqueles autores candidatos quase que vitalícios ao Nobel, que teima em ignorá-lo. Azar da Academia. Oz, crítico ferrenho do atual governo israelense e ídolo da esquerda, lida há tempos com essa sua peculiar condição. É odiado pela direita, que o enxerga como um traidor da causa israelense, ao defender a coexistência de dois estados. Adorado pela esquerda, não o é sem polêmicas, principalmente por ter apoiado algumas operações militares recentes. Os traidores são os que mais amam, são aqueles que estão à frente do seu tempo Shmuel Asch, depois de ser abandonado pela noiva, ver os pais falirem e, em consequência, perder a oportunidade de prosseguir seus estudos, acaba trabalhando como interlocutor de um idoso, Guershom Wald, que vive com uma misteriosa mulher, Atalia Abravanel, sua nora. Ela foi casada com Misha Wald, que foi cruelmente morto pelos árabes na guerra de 1948. O pai d...

Badenheim 1939, de Aharon Appelfeld

Badenheim 1939 Aharon Appelfeld Tradução: Moacir Amâncio Amarilys, 2012 172 p. A primavera voltou a Badenheim. Na igreja da aldeia, próximo à cidade, os sinos badalaram. A sombra das árvores retirou-se para a floresta. O sol desfez os restos da escuridão e a luz estendeu-se ao longo da rua principal e, então, de praça em praça. Era um instante de transição. Os veranistas estavam prestes a invadir a cidade. Dois fiscais seguiam pela rua e examinavam os encanamentos. A cidade, que trocara muitos moradores no correr dos anos, mantinha a beleza, uma beleza singela. Num pequeno balneário judeu na Áustria, o dr. Pappenheim conclui os preparativos para o seu famoso festival de música. Com a chegada dos veranistas e dos músicos, surge o poderoso Departamento Sanitário, a divisão de saúde pública. E todos se vêem presos na cidade. Os correios, os restaurantes, tudo é fechado, e começa a faltar comida. Enquanto isso, surge a ordem de evacuação para a Polônia. Todos nós ...

Conto da semana, de Etgar Keret

O israelense Etgar Keret (Tel Aviv, 1967) terá sua estreia no Brasil - A Casa da Palavra irá editar "O Motorista de Ônibus que queria ser Deus". Sua obra já é conhecida em mais de 30 países como um dos mais criativos escritores israelenses de sua geração. O conto da semana foi extraído do sensacional  Words Without Borders . Ludwig e eu matamos Hitler - ou Uma Primavera em Berlim. O narrador e o tal Ludwig perambulam por Berlim já com os russos batendo à porta. Passam por um cartaz de Hitler e Ludwig lembra que o conheceu na juventude - quando ele ainda não usava aquele bigode ridículo. Anna o trocou por Hitler, fato que ele até hoje não perdoa - não que você seja estúpido, mas você não tem imaginação. Já Hitler... ele é um artista! Próximo às ruínas da Opera, os dois encontram um bêbado que pensa estar havendo um concerto - ele ouve os canhões e diz que a Filarmônica está tocando 1812... E, mais à frente, com uma capa... Hitler em pessoa! Adolf, como est...