A outra mesa a que assistimos foi a 14, reunindo a americana Lydia Davis e o irlandês John Banville, tratando dos limites da prosa. A americana se notabilizou por uma prosa curta - às vezes, de poucas linhas e frases, quase aforismas, à moda de Kafka. Sua prosa é considerada bastante experimentalista. Curiosamente, o mediador da mesa pareceu um tanto grosseiro, ao falar que seus textos se parecem "resumos" de histórias. Não fomos os únicos a ter essa opinião, tanto na tenda do telão, onde estávamos, quanto na fila para autógrafos, mas não vi essa mesma impressão em nenhum artigo sobre o evento. Perguntada sobre seu processo criativo, mais especificamente sobre suas fontes de inspiração, respondeu: o que faço é sempre tomar nota das coisas que acontecem comigo; pode ser uma mosca pousada no papel, uma conversa que ouvi na rua. Tenho muitos bloquinhos. Em geral, o conto está esperando. Às vezes, pego os papeizinhos e levo para minha mesa; vou melhorando um pouco...
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