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Mostrando postagens com o rótulo FLIP 2013

Na FLIP (3)

A outra mesa a que assistimos foi a 14, reunindo a americana Lydia Davis e o irlandês John Banville, tratando dos limites da prosa.  A americana se notabilizou por uma prosa curta - às vezes, de poucas linhas e frases, quase aforismas, à moda de Kafka. Sua prosa é considerada bastante experimentalista. Curiosamente, o mediador da mesa pareceu um tanto grosseiro, ao falar que seus textos se parecem "resumos" de histórias. Não fomos os únicos a ter essa opinião, tanto na tenda do telão, onde estávamos, quanto na fila para autógrafos, mas não vi essa mesma impressão em nenhum artigo sobre o evento.   Perguntada sobre seu processo criativo, mais especificamente sobre suas fontes de inspiração, respondeu: o que faço é sempre tomar nota das coisas que acontecem comigo; pode ser uma mosca pousada no papel, uma conversa que ouvi na rua. Tenho muitos bloquinhos. Em geral, o conto está esperando. Às vezes, pego os papeizinhos e levo para minha mesa; vou melhorando um pouco...

Na FLIP (2)

A ideia era publicar estes posts ao longo da Festa mas minha conexão 3G, ao invés de honrar seu nome, deu um solene adeus ao meu Ipad. No sábado, então, fomos às mesas 13 e 14.  A mesa 13 trazia o bósnio Aleksandar Hemon e o francês Laurent Binet, e tratava da conexão entre a ficção e a História.  A vantagem de Hemon era evidente - afinal, em que pese ele não ser uma vítima direta dos horrores da guerra, já que estava nos EUA quando começou o cerco a Sarajevo, como ele próprio afirma, é claro que sua ficção é marcada indelevelmente pelo conflito. O mesmo se pode dizer dos seus artigos e ensaios reunidos no Livro de Minhas Vidas, que comentei  aqui. A leitura de um trecho deste livro - especificamente, o texto bastante proustiano sobre o borsh - abriu o caminho para os debates. Ele também falou de sua filha, e deixou claro que, como escritor, não pode fugir de temas difíceis.  Já Binet falou sobre seu HHhH - ler  aqui.  Seu foco foi o fa...

Na FLIP (1)

Depois de muitos anos falando em um dia assistir à Festa Literária Internacional de Paraty, conseguimos colocar os planos em prática.   Chegamos no final da tarde de sexta, diretamente para a Pousada Águas de Paraty, um refúgio à beira do rio, fora do centro histórico - mas nada que uma caminhada tranquila por cerca de 900 metros não resolvesse.         E que atrai muitos e ilustres hóspedes - estes aqui sempre nos visitavam no café da manhã.          E ainda chegamos à FLIP a tempo de ouvir a Cleonice Berardinelli, que dividia a mesa com a Maria Bethania e roubou a cena.     Na última pergunta, sobre como Fernando Pessoa entrou em sua vida, a imortal de 96 anos contou uma longa história, falou sobre seus professores e, quando todos já achavam que ela tinha esquecido a pergunta, eis que concluiu seu raciocínio, sob aplausos entusiasmados. E aproveitei, claro, para adquirir seus livros Cinco...