terça-feira, 9 de julho de 2013

Na FLIP (2)

A ideia era publicar estes posts ao longo da Festa mas minha conexão 3G, ao invés de honrar seu nome, deu um solene adeus ao meu Ipad. No sábado, então, fomos às mesas 13 e 14. 

A mesa 13 trazia o bósnio Aleksandar Hemon e o francês Laurent Binet, e tratava da conexão entre a ficção e a História. 


A vantagem de Hemon era evidente - afinal, em que pese ele não ser uma vítima direta dos horrores da guerra, já que estava nos EUA quando começou o cerco a Sarajevo, como ele próprio afirma, é claro que sua ficção é marcada indelevelmente pelo conflito. O mesmo se pode dizer dos seus artigos e ensaios reunidos no Livro de Minhas Vidas, que comentei aqui.

A leitura de um trecho deste livro - especificamente, o texto bastante proustiano sobre o borsh - abriu o caminho para os debates. Ele também falou de sua filha, e deixou claro que, como escritor, não pode fugir de temas difíceis. 

Já Binet falou sobre seu HHhH - ler aqui. Seu foco foi o fato de seu excelente livro tratar não apenas de Heydrich e a operação que o assassinou, mas também - e principalmente - a própria pesquisa, a decisão de escrever sobre o tema. Como dito pelo próprio, o romance e o romance do making of. 

Além disso, acabou falando do seu livro sobre a campanha presidencial de François Hollande, da qual participou dos bastidores.

Curiosamente, no momento em que conversavam, os protestos chegaram à Flip, do lado de fora das tendas, com Binet dizendo-se surpreso e empolgado com tudo aquilo. Hemon também, acrescentando a questão de que lado se fica nestes momentos (e, fundamentalmente, quantos "lados" existem), mencionando um político brasileiro que dizia não querer ficar do "lado errado".




Um comentário:

  1. Alexksandar Hemon deu um show!! Um pouco sisudo, mas falando com muita propriedade , como protagonista da história , contagiou a todos com sua narrativa, quase emotiva, de fatos vivenciados ou observados bem de perto . Qto ao outro participante, em que pese seja um excelente escritor tb, me pareceu mais interessado em movimentos políticos, empolgadíssimo com as manifestações recentes. A mediação neste caso ajudou a manter o fio condutor da mesa, sabendo seu lugar de coadjuvante e não centro das atenções.

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