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Mostrando postagens com o rótulo Otto Maria Carpeaux

Jonathan Swift

Jonathan Swift - clérigo humanista, fiel-infiel à Igreja da qual era sacerdote - é um dos maiores satíricos da literatura universal, talvez o maior de todos. Gulliver's Travels é o livro mais cruel que existe. As atividades febris e inúteis dos anões de Lilliput ridicularizam a vida parlamentar na Inglaterra do século XVIII e em todos os países e épocas de política constitucional e profissional (...)  Tampouco são melhores os intelectuais que, no país de Laputa, vegetam como imbecis completos. Na última parte, o elogio dos Houyhnhms , isto é, dos cavalos, mais nobres e mais inteligentes que os homens, é a condenação absoluta do gênero humano in totum. Enfim, o episódio dos Struldbrugs, que devem ao progresso científico a imortalidade da vida, não escapando, porém, às doenças, fraquezas e senilidade da extrema velhice, e que não conseguem morrer, já condena a própria vida. Carpeaux, História da Literatura Ocidental, v. II, p. 1063

O leitor não conhece o Paraíso

O julgamento unânime dos leitores de todos os séculos concorda em um ponto: que a parte mais "interessante", mais humana, do Cosmo dantesco, é o "Inferno"; e nesta afirmação se esconde um dos julgamentos mais graves que já se pronunciaram contra a humanidade (...) A grande maioria dos leitores da Divina Comédia só conhece o "Inferno"; vence as dificuldades das alusões políticas e históricas, que tornam indispensável o comentário, para compreender os grandes episódios que criaram a glória do poema através dos séculos. Uma compreensão tão fragmentária do "Inferno" não sente escrúpulos, fragmentando o poema inteiro: o "Inferno", sim, seria um reflexo satírico - sátira trágica - do mundo real e por isso acessível à nossa sensibilidade: o "Purgatório" seria, apenas, repetição mais fraca do "Inferno", e o "Paraíso", enfim, uma abstração, teologia escolástica em versos; para a grande maioria dos leitores o "...

O Bom Soldado Svejk (II)

O pendant humorístico, genialmente humorístico, é o soldado Svejk, de Hasek: o soldado checo, anti-herói, forçado a servir no exército austríaco contra os irmãos eslavos, ilude os oficiais, fingindo-se de idiota; e como idiota pode dizer, com a cara mais ingênua, verdades subversivas, enquanto pagando a franqueza pela humilhação sem vergonha. É a epopéia picaresca da guerra e uma as grandes obras satíricas da literatura universal, muito lida mas ainda não bastante apreciada. Otto Maria Carpeaux, História da Literatura Ocidental, volume 4, pág. 2531 .

Oblomov segundo Carpeaux

Gontcharov é, para a literatura universal, o autor de um livro só, do romance Oblomov: um dos maiores livros de todos os tempos. Tem elementos para agradar os grupos mais diferentes de leitores; mas para compreender bem a obra precisa-se de uma qualidade preciosa e rara entre os leitores modernos: de paciência. Porque em Oblomov não se passa nada: ou antes, o que se poderia chamar "ação", nesse romance, só se passa para iluminar a inação do herói, da qual tudo depende. (...) É o romance mais estático da literatura universal; o romance do infinito enfado universal. História da Literatura Universal, volume III, p. 1796. E portanto lá vamos nós... iniciando a leitura da tradução feita por Rubens Figueiredo e suas mais de 700 páginas.