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Aharon Appelfeld (1932-2018)

Ontem, dia 4, morreu o escritor israelense Aharon Appelfeld, aos 85 anos. Dele, li Badenheim 1939, um dos melhores livros sobre o Holocausto.     Appelfeld nasceu em Czernowitz, então parte da Romênia e hoje território ucraniano. Sobreviveu ao Holocausto escondendo-se nas florestas da Romênia, trabalhou por alguns meses para o Exército Vermelho, que deixou em 1945 e, no ano seguinte, aos 14 anos, emigrou para a Palestina - segundo ele, não havia lugar para órfãos na Europa. Recusava a classificação de "escritor do Holocausto", por entender que não se pode ser um "escritor da morte". Foi professor de letras na Universidade Ben Gurion.  Era grande amigo de Philip Roth (há uma conversa entre ambos no livro Entre nós , do escritor americano), que nele se inspirou para escrever seu melhor romance, Operação Shylock .

Badenheim 1939, de Aharon Appelfeld

Badenheim 1939 Aharon Appelfeld Tradução: Moacir Amâncio Amarilys, 2012 172 p. A primavera voltou a Badenheim. Na igreja da aldeia, próximo à cidade, os sinos badalaram. A sombra das árvores retirou-se para a floresta. O sol desfez os restos da escuridão e a luz estendeu-se ao longo da rua principal e, então, de praça em praça. Era um instante de transição. Os veranistas estavam prestes a invadir a cidade. Dois fiscais seguiam pela rua e examinavam os encanamentos. A cidade, que trocara muitos moradores no correr dos anos, mantinha a beleza, uma beleza singela. Num pequeno balneário judeu na Áustria, o dr. Pappenheim conclui os preparativos para o seu famoso festival de música. Com a chegada dos veranistas e dos músicos, surge o poderoso Departamento Sanitário, a divisão de saúde pública. E todos se vêem presos na cidade. Os correios, os restaurantes, tudo é fechado, e começa a faltar comida. Enquanto isso, surge a ordem de evacuação para a Polônia. Todos nós ...