Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Thomas Bernhard

Conto da semana, de Thomas Bernhard

Sim, ele de novo. Thomas Bernhard (1931-1989), Borges, Gonçalo Tavares aparecem, e aparecerão, com frequência por aqui. Aqui, Sucesso estrondoso, na tradução de Sergio Tellaroli. Um assim chamado conjunto de música de câmara, famoso por tocar música antiga somente em instrumentos de época e também por um repertório que contempla apenas Rossini, Frescobaldi, Vivaldi e Pergolesi, apresentou-se num antigo castelo à beiro do lago Atter e experimentou nessa ocasião o maior sucesso de sua carreira. Os aplausos só cessaram quando, bis após bis, já não lhes restava repertório a executar. Somente no dia seguinte revelaram aos músicos que eles haviam tocado numa instituição para surdos-mudos.

Conto da semana, de Thomas Bernhard

No tribunal distrital de Wels, uma senhora com quarenta e oito condenações anteriores, que o juiz, logo na abertura deste seu mais recente julgamento, como relata o jornal local, caracterizou como ladra anciã e bem conhecida da justiça e cuja presente acusação se devia ao furto de um monóculo inteiramente inútil para ela, roubado havia pouco de uma falecida frequentadora da ópera, a qual já não conseguia andar fazia muitos anos, não ia mais à ópera e, por essa mesma razão, não apenas nunca mais utilizara o monóculo mas também o esquecera por completo, como se verificou ao longo do julgamento – essa senhora, pois, logrou ter sua pena de apenas três meses de prisão aumentada mediante um safanão que desferiu no juiz tão logo proferida a sentença. Esperava conseguir no mínimo nove meses de prisão, porque não suportava mais viver em liberdade, alegou ela Aumento.  Tradução de Sérgio Tellaroli. Integra O Imitador de Vozes, Companhia das Letras.

Conto da semana, de Thomas Bernhard

Pisa e Veneza Os prefeitos de Pisa e Veneza tinham concordado em molestar os visitantes de suas cidades, que havia séculos se encantavam em igual medida tanto com Pisa como em Veneza, mandando transferir, em segredo e da noite para o dia, a torre de Pisa para Veneza e o campanário de Veneza para Pisa, instalando-os no novo local. Mas não conseguiram manter segredo de seu intento e, justamente na noite em que pretendiam mandar transportar a torre de Pisa para Veneza e o campanário de Veneza para Pisa, foram internados no manicômio: naturalmente, o prefeito de Pisa no manicômio de Pisa e o prefeito de Veneza no manicômio de Veneza. As autoridades italianas lograram tratar a questão dentro do mais absoluto sigilo. O conto está em O Imitador de Vozes, Companhia das Letras. Tradução: Sergio Tellaroli.

Thomas Bernhard e o imitador de vozes

O conto da semana é de Thomas Bernhard, que integra o livro de mesmo título (Companhia das Letras, 2009, traduzido por Sergio Tellaroli): Convidado de ontem à noite da Sociedade Cirúrgica, o imitador de vozes, depois de se apresentar no Palais Pallavicini a convite da própria Sociedade Cirúrgica, já havia concordado em se juntar a nós na Kahlenberg para, sempre ali, na colina onde mantemos uma casa sempre aberta a todas as artes, apresentar seu número, naturalmente não sem o pagamento de cachê. Entusiasmados com o espetáculo a que tínhamos assistido no Palais Pallavicini, pedimos ao imitador de vozes, natural de Oxford, na Inglaterra, mas que freqüentou escola em Landshut e exerceu de início a profissão de armeiro em Berchtesgaden, que, na Kahlenberg, não se repetisse, mas apresentasse algo inteiramente diferente daquelas imitadas no Palais Pallavicini, o que ele prometeu fazer. E de fato o imitador de vozes imitou na Kahlenberg vozes inteiramente diferentes daquelas apresentadas ...