quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Elza, a garota, de Sérgio Rodrigues

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Elza, a garota. A história da jovem comunista que o partido matou
Sérgio Rodrigues
Companhia das Letras
216 páginas

Tinha dezesseis anos. Ou assim dizem. As versões variam. Em algumas, Elza é mulher feita, vinte e um. Na maioria tem dezesseis. A idade altera talvez o grau de escândalo da união, mas não o fato de que Elza era a namorada, mulher, companheira, concubina, amante, amásia oficial do secretário-geral do Partido Comunista do Brasil —  o cargo máximo da organização —  em 1935. O ano em que a esquerda brasileira tentou o lance mais ousado e sofreu a maior derrota de sua história. Miranda tinha quase a idade do século. Bem-apessoado, simpático, dizia a todos os companheiros que amava Elza e pretendia, assim que as circunstâncias políticas permitissem, fazer dela uma mulher honesta. Antes, porém, precisava se desincumbir daquele trabalhinho de tomar o poder no país.

Com atraso de quase dez anos do lançamento, li Elza, a garota, de Sérgio Rodrigues (seu O drible está na minha lista). Trata-se da história de Elvira Cupello Calônio, codinome Elza Fernandes, namorada do secretário-geral do PCB e assassinada, a mando de Prestes, em 1936. Em muitos momentos, o romance se oculta num livro de História, ainda que, ao contrário do que fez Olivier Guez com o seu livro sobre Mengele, há, aqui, de forma bastante presente o elemento ficcional.  A história real é, de fato, uma tragédia. Impossível não lembar de Olga Benário, que por sua vez, não poderia ser mais diferente de Elza... 

Uma curiosidade: o livro fora encomendado a Sérgio Rodrigues como um trabalho de não-ficção, uma grande reportagem, um livro de História. De fato, vários autores são citados ao longo das mais de 200 páginas, como William Waack e seu Camaradas. Lá pelas tantas, o autor percebeu que poderia e deveria se transformar em romance. Um bom romance, diga-se, sobre um período histórico que estudávamos com mais detalhes na escola até o final dos anos 80. 

Ao que consta, está para ser adaptado ao cinema.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Jogo de cena em Bolzano, de Sándor Márai

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Jogo de cena em Bolzano
Sándor Marái
Tradução de Edith Elek
Companhia das Letras, 2017
248 p.

Deveria matá-lo? Seria um grande erro. O homem que é amado, quando morto, constitui um inimigo perigoso; você estaria lá, do nosso lado à mesa, na cama da condessa, com os passos  leves dos mortos você nos espiaria nos quartos, no jardim, estaria presente em todo lugar. Sua imagem estaria cercada pelo luto, pela pompa majestosa, as emoções e as lembranças embaladas em veludo preto e prata. E a vingança púrpura flutuaria em torno de sua memória, um vingança muda e fumegante iluminaria o caminho de suas lembranças, e eu me converteria no covarde e egoísta, no mesquinho e palerma que matou o único e maravilhoso homem que Francesca precisava ver! Não, meu filho, não vou matá-lo.

Jogo de cena em Bolzano é o último romance  de Sándor Marái (1900-1989) publicados no Brasil. 

Giacomo Casanova nasceu em Veneza em 1725 e logo se tornou sinônimo de libertinagem. Por atividades antirreligiosas, foi preso na sua cidade em 1755 e, no ano seguinte, consegue escapar do cárcere, com o abade Balbi. O romance se passa quando, após essa fuga espetacular, em 31 de outubro de 1756, Casanova está escondido em Bolzano. Nesta cidade, reencontra seu rival, o conde de Parma, com quem, anos antes, duelou por Constança, agora condessa.

À época, o conde prometeu a Casanova que a próxima vez que o encontrasse seria também a última: jura-o de morte. Agora, anos mais tarde, o Conde de Parma resolve visitá-lo, entregando-lhe uma carta e uma proposta. O Conde se humilha de uma forma absolutamente arrasadora. Ao contrário do que ocorrera no passado, o confronto entre o Conde e Casanova, agora, se dá através de uma tensa conversa, que tomará praticamente todo o livro.

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À primeira vista, um trabalho bem diferente dos demais de Marái, autor de As brasas, Confissões de um burguês, Divórcio em Buda, Liberdade. Numa leitura um pouco mais atenta, porém, vemos os mesmos elementos: uma grande conversa entre dois rivais (são dois amigos que se reencontram depois de quarenta anos em As brasas). 



sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Lobo Antunes na Pléiade

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"Sonhei com este prémio desde os 13 ou 14 anos, desde a adolescência até agora. É o maior reconhecimento que se pode ter enquanto escritor, muito maior do que o Nobel".

Foi o que afirmou António Lobo Antunes pouco depois de ser informado de que a Biblioteca La Pléiade quer publicar a sua obra. Visivelmente emocionado com a sua entrada nesta prestigiada colecção francesa, o escritor acrescentou: "Estar no meio desta gente sábia dá-me muito prazer e muita alegria."

A matéria pode ser lida aqui.


quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A longa viagem da biblioteca dos reis, de Lilia Moritz Schwarcz e outros



Frágil em sua história, nossa Biblioteca seria guardada na memória, como tantas outras que resistiram a seu destino e vingaram tal qual muralhas. É porque na história das bibliotecas sempre se impôs esta mesma duplicidade: observadas internamente são frágeis e passageiras; vistas com maior distanciamento parecem indestrutíveis. Alocadas em grandes edifícios e compostas por coleções de coleções, por livros milenares e documentos cuja data se perdeu, as bibliotecas guardaram uma imagem de estabilidade e solidez que, na verdade, pouco combinou com seu destino. A história mostra como essas livrarias foram e continuam sendo destruídas, seja por motivos naturais ou por conta da razão instável dos homens. E, cada vez que uma caía, tombava com ela uma parte da civilização. Foi assim com Alexandria, que durou apenas um século e, com ela - com seus 700 mil volumes - desapareceu parte do conhecimento disponível sobre a Grécia. Não por acaso os ingleses queimaram a Biblioteca do Congresso em 1814, e um novo acervo cultural teve de ser construído. Foi assim quando Monte Cassino foi bombardeada, durante a Segunda Guerra Mundial, e perdeu-se boa parcela do conhecimento sobre a Europa medieval. E, não faz muito tempo, a destruição da Biblioteca Nacional do Camboja, pelo Khmer Vermelho, levou consigo o maior estoque de informações sobre a civilização cambojana. Por sinal, esse era o objetivo de seus algozes, que pretendiam reduzir o passado a zero e recomeçar do nada: criar uma memória; inventar de novo uma mesma nação. Não por acaso destruíram 80% dos livros e mataram 57 doe seus sessenta bibliotecários.

Por uma dessas coincidências inexplicáveis, estava ainda nas primeiras cem páginas d' A longa viagem da biblioteca dos reis, de Lilia Moritz Schwarcz, com Paulo Cesar de Azevedo e Angela Marques da Costa, quando soube do incêndio que consumia outro legado da vinda de D. João VI, o Museu Nacional. 

Estava pensando nas goteiras da Biblioteca Nacional quando as labaredas reduziam a pó o museu... Uma semana antes, estivemos com a autora, que falava de seu mais recente trabalho, a biografia de Lima Barreto.

O livro desmente algumas ideias comuns, como a de que a vinda da Corte teria sido uma fuga - nem o mais letrado monarca se preocuparia em levar uma biblioteca de milhares de volumes em uma  fuga de última hora, e conta a história a partir do fatídico terremoto de 1755, passando pelo período pombalino, o Reino Unido e a Independência de um país sem grandes apreços pela cultura e que foi "inaugurado" por uma carta, pagou 800 contos (uma fortuna) a Portugal pela biblioteca (na Independência). 

A biblioteca já esteve no prédio da Ordem do Carmo, na então rua Primeira, e com a República ganhou seu espaço atual, na Cinelândia, próximo ao Museu Nacional de Belas Artes e do Teatro Municipal, o que deveria garantir à praça um status imbatível de centro cultural nacional. Ande mais alguns minutos e você chegará a outra biblioteca - na minha opinião, até mais bonita - o Real Gabinete de Leitura.

A peculiar proibição de livros na América portuguesa não encontra equivalentes na colonização espanhola, que desde o século XVI já criava universidades - como bem destaca Jorge Caldeira em seu História da Riqueza no Brasil, que comento daqui a alguns dias.

Como diz Lilia, "uma história diferente da independência brasileira, contada por bibliotecários".

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Dante por Ian Thomson



Artigo, em inglês, publicado no site da Spectator, sobre o livro de Ian Thomson sobre a Divina Comédia. Dante, segundo ele, é o patrono dos perseguidos: Oscar Wilde tinha um exemplar do livro à mão, Primo Levi procurava se lembrar de seus versos enquanto lutava pela sobrevivência em Auschwitz, Osip Mandelstam só saía de casa com um exemplar no bolso.

A autora do artigo, Frances Wilson, destaca a existência de cerca de 50 traduções desse monumento para o inglês. Mas, afinal, o que atrai um leitor do século XXI à leitura da Comédia? Simples:

The reason Dante still matters, Thomson argues, is not because readers today ‘fear damnation or are moved by the beauty of the Christian revelation, but because he wrote the story of an ordinary man — an Everyman — who sets out hopefully in this life in search of renewal’.


A Promessa, de Friedrich Dürrenmatt

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Pouquíssimo conhecido no Brasil, como a literatura suíça em geral, Friedrich Dürrenmatt (1921-1990) escreveu peças e romances policiais. Salvo engano, foi publicado por aqui lá pelos anos 90.

A Promessa (1958) é quase uma tese sobre o romance policial. Um ex-comandante da polícia encontra o autor após uma conferência literária sobre o gênero. Começa a criticar ambos: o romance policial é uma farsa, os escritores nos enganam, dando um crédito indevido à lógica... e começa a contar um episódio.

Assim, em poucas páginas, o narrador deixa de ser o autor e passa a ser o próprio ex-comandante, que conta uma história ocorrida há muitos anos. Matthäi, grande comissário de polícia, prestes a deixar a Suíça para assumir um posto na Jordânia, resolve postergar sua nova missão para investigar o assassinato de Gritli Moser, uma menina de Magendorf. Matthäi promete aos seus pais desolados encontrar o assassino. É a promessa.

O corpo foi encontrado na floresta pelo caixeiro viajante (ainda existem caixeiros viajantes?) von Gunten. Todos os indícios levam à sua culpa. Matthäi discorda, mas a população exige um culpado. Coincidências de local, horário, bem como o fato de o suspeito vender, entre outras coisas, uma faca, criam em todos a convicção de que o crime está solucionado.

Cético, Matthäi se envolve definitivamente no caso com o suicídio de Von Guten. Está convencido de que um trágico erro fora cometido. E, dessa forma, não cumpriu a promessa feita aos pais da vítima. 

A forma como Matthäi se vincula à promessa feita pode ser considerada por muitos, cinicamente, irreal, mas é o grande motor desse romance de cerca de 150 páginas. Sua vida é completamente alterada, ele desiste da Jordânia, acaba se isolando em um posto de gasolina, perde boa parte de sua reputação... busca uma racionalidade perfeita, explica-a ao narrador da história. Numa história policial clássica, o desfecho seria, certamente, outro, com toda essa dedicação culminando em uma recompensa ao dedicado comissário. Mas não é exatamente isso o que acontece.

O subtítulo - "um réquiem para o romance policial" - acaba sendo injusto: trata-se de um réquiem para a própria razão.


quinta-feira, 19 de julho de 2018

Nobel Alternativo?

Depois do vexame e do escândalo, o Nobel de Literatura de 2018 foi cancelado.

Surge agora uma Nova Academia, que propõe uma premiação alternativa. Algumas coisas não mudam: não há qualquer escritor brasileiro na lista.

Mas, sinceramente, colocar no mesmo patamar Ian McEwan e Amós Oz com J.K. Rowling... De fato, algumas coisas nunca mudam mesmo.


The Silk Roads: A New History of the World, de Peter Frankopan



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The Silk Roads: A New History of the World
Peter Frankopan
Bloomsbury Publishing

Lançado em 2017, esse livro de Peter Frankopan permanece inédito no Brasil. Não sei se alguma editora irá publicá-lo por aqui - fica a sugestão/pedido. Li, obviamente, pelo Kindle, mas merece um lugar na estante.

É comum nos depararmos com "novas histórias", novas visões, mas raramente percebemos o "novo". Frankopan, por outro lado, acerta em cheio. Especialista em Bizâncio e na Ásia Central, ele simplesmente conta a história do mundo a partir daquilo que viemos a chamar de "Rotas da Seda", abandonando uma visão mais eurocêntrica. Afinal, escreve, a Ásia Central é o lugar onde os impérios foram criados". 

O Império Persa, por exemplo, se sobressai, por volta do século VI a.C, expandindo-se até o Himalaia, o Mar Egeu e o Egito. Segundo ele, quando pensamos em globalização como algo do século XXI, ignoramos esse "pequeno detalhe" - há mais de 2000 anos, foi um fato, que criou oportunidades, gerou problemas e alavancou um progresso tecnológico notável. 

As religiões também são estudadas - em especial, as relações iniciais entre Cristianismo, Islamismo e Judaísmo. Por outro lado, o avanço dos mongóis (que atacaram a China, Bagdá e avançaram pela Europa) e a Peste Negra estão intimamente ligados - e Frankopan enxerga nesse conjunto de fatos o início de uma mudança no eixo do poder europeu, que se desloca do Mediterrâneo.

Com a Peste, a população diminuiu drasticamente, os salários aumentaram na mesma proporção (mão-de-obra escassa, afinal), os camponeses e trabalhadores urbanos aumentaram o seu poder em relação aos proprietários de terra. Houve uma redistribuição de riquezas no continente. Por outro lado, aumentou a demanda por artigos de luxo. As transformações advindas da Peste Negra formaram a base para a ascensão da Europa do Norte e Ocidental.

Por outro lado, países que estavam longe de Constantinopla passaram a ter um protagonismo inesperado, com as descobertas e as conquistas coloniais da Espanha e de Portugal. Essas províncias longínquas, que estavam "do lado errado do Mediterrâneo" agora se transformam em potencias globais, afetando drasticamente as rotas da Ásia Menor para as cidades italianas, cuja decadência se acentua. 

Com a fundação de Manilla, nas Filipinas, "a primeira cidade global", diz Frankopan, é possível conectar América e Ásia sem passar pela Europa. E depois a crise da Espanha e o surgimento de uma nova potência, a Inglaterra, e por aí vai. Frankopan chega até os dias atuais, do início do século XXI...

Enfim, é impossível enumerar as passagens e os enfoques estudados por Frankopan que, na melhor tradição da língua inglesa, nos oferece um livro de alta qualidade num texto extremamente agradável de se ler. Mas talvez dê para colocar esse The Silk Roads nos seguintes termos: uma história do mundo a partir do comércio, tão antigo quanto a própria civilização. 

Imperdível. Que alguma boa editora traga esse livro para cá.


sábado, 14 de julho de 2018

Ulisses e Eumeu

Ao que parece, foi encontrado o mais antigo registro escrito da Odisseia, mais exatamente uma placa com fragmento do Canto 14, aquele em que Ulisses, tendo retornado a Ítaca, reencontra o seu criado Eumeu. O achado se deu durante escavações na cidade de Olímpia e, ao que tudo indica, data do século III a.C.



Ismail Kadaré escreveu o romance O dossiê H, passado na sua Albânia. Na história, dois irlandeses, Max Roth e Willy Norton, viajam na década de 30 para estudar a epopeia albanesa para descobrir a forma de composição dos dois poemas.

Há uma eterna discussão: existiu um sujeito chamado Homero, que teria criado essas histórias? Muitos acreditam que não, e que o que lemos hoje seriam "obras coletivas" passadas de geração em geração por cantores épicos. 

O achado em Olímpia não resolve a questão, mas é fascinante encontrarmos um registro tão antigo da epopeia. 

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Com Borges, de Alberto Manguel

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Com Borges
Alberto Manguel
Traduzido por Priscila Catão
Editora Âyiné, 2018


Abro caminho com os ombros no meio da multidão na Calle Florida, entro na recém-construída Galeria del Este, saio pelo outro lado e atravesso a Calle Maipú e, encostando-me na fachada de mármore vermelho do número 994, pressiono o botão do 6B. Entro no hall frio do prédio e subo os seis andares de escada. Toco a campainha e a empregada abre a porta, mas, antes que ela me deixe entrar, Borges sai de trás de uma cortina, com a postura bastante ereta, terno cinza abotoado, camisa branca e gravata amarela listrada levemente torta, arrastando-se um pouco ao se aproximar. Cego desde quando havia quase sessenta anos, ele se move hesitante mesmo num espaço que conhece tão bem quanto o seu. Estende a mão direita e me dá as boas-vindas com um aperto distraído e fraco. Não há mais formalidades. Ele se vira e me guia até a sala de estar, sentando-se ereto no sofá virado para a entrada. Eu me acomodo na poltrona à sua direita e ele pergunta (mas as suas perguntas são quase sempre retóricas):'Bem, que tal lermos Kipling esta noite.

Finalmente é publicado no Brasil - pela inacreditável editora Âyiné - o relato em que Alberto Manguel  (1948) conta de sua experiência de ter frequentado, entre 1964 e 1968, a residência de Jorge Luís Borges. Já cego, o escritor, que frequentava a livraria Pygmalion, onde Manguel trabalhava, precisava de alguém que lesse em voz alta para ele. No Brasil, há alguns anos, disse já ter contado 40 mil vezes como conheceu Borges.

A cegueira, seus hábitos de leitura ("Nunca se sentia obrigado a ler um livro até a última página", algumas curiosidades ("deu aulas sobre Finnegans Wake sem nunca ter terminado o livro de Joyce), a amizade com Bioy Casares e Silvia Ocampo, a nunca desperdiçada oportunidade de falar mal de Vargas Llosa (Manguel e Borges nunca simpatizaram com o Nobel peruano), os relatos dos sonhos e a descrição das poucas prateleiras do apartamento de Borges - tudo aparece nessas 68 páginas lidas de uma tacada só.

Manguel, que até recentemente viveu na França, retornou a Buenos Aires. Hoje, dirige a Biblioteca Nacional, como seu mestre.