A Noiva do Tigre Tea Obreht Tradução: Santiago Nazarian São Paulo: Leya, 2011 280p. Nas minhas lembranças mais antigas, meu avô é careca como uma pedra e me leva para ver os tigres. Ele veste o chapéu, sua grande capa de chuva de botões, e eu uso meus sapatos de verniz e meu vestidinho de veludo. É outono, e tenho quatro anos de idade. A certeza desse processo: a mão do meu avô, o sibilar alegre do carrinho de passear, a umidade da manhã, o passeio lotado morro acima para o parque do forte. Sempre dentro do bolso do meu avô: O livro da selva, com sua capa dourada e páginas velhas amareladas. Não tenho permissão para segurá-lo, mas ficará aberto em seu colo a tarde toda enquanto ele recita as passagens para mim. Mesmo que meu avô não esteja usando seu estetoscópio ou avental branco, a senhora no guichê dos ingressos de entrada o chama de “doutor” (p. 9). De uns tempos para cá comecei a me deparar com bons autores da minha idade ou mais novos do que eu... Tea Ob...
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