Oblómov Ivan Gontcharov Tradução de Rubens Figueiredo Editora Cosac Naify, 2012 736p. Ficar deitado não era para Iliá Ilitch nem uma necessidade, como é para um doente ou para alguém que deseja dormir, nem um acaso, como é para alguém que está cansado, nem um prazer, como é para um preguiçoso: tratava-se de um estado normal. Quando estava em casa - e sempre estava em casa -, ele ficava o tempo todo deitado, e sempre no mesmo quarto onde o encontramos e que lhe servia de dormitório, escritório e sala de visitas. Sua casa tinha ainda três quartos, mas Oblómov raramente punha os olhos naqueles cômodos, exceto pela manhã, e nem todos os dias, só quando o criado varria seu quarto, o que ele não fazia diariamente. Naqueles cômodos, a mobília estava coberta por panos e as cortinas ficavam fechadas. p. 19. Carpeaux avisou tratar-se de um romance que exige enorme paciência do leitor moderno - afinal, nas primeiras 150 páginas, Iliá Ilitch Oblómov sequer se levanta de sua cama, em...
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