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Mostrando postagens com o rótulo Ivan Gontcharov

Oblómov, de Ivan Gontcharov

Oblómov Ivan Gontcharov Tradução de Rubens Figueiredo Editora Cosac Naify, 2012 736p. Ficar deitado não era para Iliá Ilitch nem uma necessidade, como é para um doente ou para alguém que deseja dormir, nem um acaso, como é para alguém que está cansado, nem um prazer, como é para um preguiçoso: tratava-se de um estado normal. Quando estava em casa - e sempre estava em casa -, ele ficava o tempo todo deitado, e sempre no mesmo quarto onde o encontramos e que lhe servia de dormitório, escritório e sala de visitas. Sua casa tinha ainda três quartos, mas Oblómov raramente punha os olhos naqueles cômodos, exceto pela manhã, e nem todos os dias, só quando o criado varria seu quarto, o que ele não fazia diariamente. Naqueles cômodos, a mobília estava coberta por panos e as cortinas ficavam fechadas. p. 19. Carpeaux avisou tratar-se de um romance que exige enorme paciência do leitor moderno - afinal, nas primeiras 150 páginas, Iliá Ilitch Oblómov sequer se levanta de sua cama, em...

Caderno de Economia, com Tarantiev

O convidado de hoje para o Caderno de Economia é Tarántiev. Ele e Ivan Matvieievitch são personagens de Oblómov. Nenhum deles vale um rublo, mas é interessante a explicação que o primeiro dá para o segundo a respeito de ações: - Para nós, russos, uma ideia feito essa não vem, nem passa pela cabeça! Lá nas bandas da Alemanha, eles têm faro para esse tipo de negócio. Vivem arrendando fazendas. Espere só para ver como ele vai acabar torrando o dinheiro todo em ações. - Que história é essa de ações? Não entendo esse negócio - perguntou Ivan Matviéievitch. - Uma invenção alemã! - respondeu Tarántiev, com raiva. - Por exemplo, um proprietário de terras inventa de fazer casas à prova de incêndio e resolve construir uma cidade: precisa de dinheiro e aí sai vendendo uns papéis, vamos dizer, por cinquenta rublos, e uma multidão de bobos compra, e depois eles vendem uns para os outros. Ouvem dizer que o empreendimento vai bem, e aí o valor dos papéis aumenta; anda mal, aí tudo vai pe...

Oblomov segundo Carpeaux

Gontcharov é, para a literatura universal, o autor de um livro só, do romance Oblomov: um dos maiores livros de todos os tempos. Tem elementos para agradar os grupos mais diferentes de leitores; mas para compreender bem a obra precisa-se de uma qualidade preciosa e rara entre os leitores modernos: de paciência. Porque em Oblomov não se passa nada: ou antes, o que se poderia chamar "ação", nesse romance, só se passa para iluminar a inação do herói, da qual tudo depende. (...) É o romance mais estático da literatura universal; o romance do infinito enfado universal. História da Literatura Universal, volume III, p. 1796. E portanto lá vamos nós... iniciando a leitura da tradução feita por Rubens Figueiredo e suas mais de 700 páginas.