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Mostrando postagens com o rótulo Literatura: Geórgia

Os Jardins e o Pandemônio, de David Dephy

Os jardins e o pandemônio David Dephy Traduzido (do inglês) por Úmero Cardoso Lumme Editor, 2013, 360 p. Eu vou te contar. Vou contar o exato. Como aqueles dias desgraçados foram se sucedendo, eu vou contar; pelo menos enquanto ainda estou vivo e Deus sabe quanto tempo ainda tenho neste mundo. Eu atinei e olhei pro céu. Escutei o barulho de explosões por toda parte, longe e perto. Havia barulho de tiros e helicópteros. Eu sou Gigga, Sardlishvili Giorgi, da Quarta Infantaria, tenente da Terceira Companhia Charly... E agora, enquanto estou com esses ferimentos fatais, prostrado nesta cama de hospital, posso morrer a qualquer momento e até parece que o tempo reduziu seus passos diante da morte,quem sabe ele não interrompe a caminhada e me deixa falar... O escritor georgiano David Dephy (1968) já apareceu aqui várias vezes, desde o conto Antes do Fim (BEF 2012), passando por A Cadeira e Palavras, palavras, palavras. Este Os jardins e o pandemônio é seu romance pu...

Nova tradução: O cachorrinho lilás na tela branca, de David Dephy

Na última quarta, dia 25 de março, a editora Lumme lançou o conto O cachorrinho lilás na tela branca e o romance Os jardins e o pandemônio , ambos de David Dephy. Infelizmente, não deu para participar do evento do lançamento e fazer a leitura em São Paulo. Um estranho cachorrinho lilás chama a atenção de um artista. Ele quer levá-lo ao seu ateliê, mas as coisas não dão muito certo... 

Conto da semana, de Lasha Bugadze

O conto da semana é do georgiano Lasha Bugadze (1977) Incluído por Hemon na edição 2013 da BEF, o autor traz uma história curiosa sobre um escritor que recebe um telefonema de uma leitora. Uma adolescente. Ela diz admirar seus livros, o que o deixa evidentemente satisfeito. Mas o real objetivo do telefonema é conseguir encontrar com Bakar Tukhareli, algo que não seria tão insólito não fosse o distinto um dos personagens de seu romance Os Pecados do Lobo. Inicialmente, ele realmente acredita tratar-se de uma piada. Mas aos poucos percebe que não será fácil livrar-se deste inconveniente. Juro pela minha própria vida que Bakar Tukhareli não é uma pessoa real. Não há nada pior que um leitor cego pela fé. Imagina que ninguém acreditará no seu relato. Num programa de rádio, o escritor conta esta história - isso só poderia acontecer se ela jamais tivesse lido um livro. E a discussão prossegue - não seria, no fundo, esta jovem a leitora ideal? Talvez seja assim que as p...

A Cadeira, de David Dephy

Hoje, quando ainda estou neste quarto, olhando para o seu interior familiar, um estranho sentimento me aflige - o sentimento de uma profunda e lenta dor, uma imensa tristeza, pois a história da qual participei permanecerá em minha memória para sempre, e sou absolutamente incapaz de esquecê-la por um minuto que seja, o que me deixará sem descanso pelo resto da minha vida. É claro que o conto da semana é A Cadeira, de David Dephy, com tradução do inglês lançada pela Editora Lumme nesta quarta-feira. A editora lançará, a partir do próximo ano, romances e contos do autor. A leitura ocorreu no Centro Cultural São Paulo.  Neste conto, bastante curto - página e meia - conhecemos a história de Sandro, um escritor obstinado, que dedica todas as suas forças, até a exaustão, à conclusão de sua obra. Sozinho, isolado de todos, destruindo-se nas poucas horas em que não está escrevendo.  Mas o narrador o acompanha todo o tempo, assiste a tudo; as crises e as euforias do art...

Conto da semana, de David Dephy

Esta semana postei uma entrevista dada pelo Ian McEwan. A interpretação que ele deu ao próprio romance foi considerada horrível pelo professor do filho. Muitos dizem que o autor é um péssimo intérprete da própria obra. O que dizer, então, dos personagens? Talvez o mais capacitado para falar da obra seja o personagem, e não o autor. Em seus contos reunidos em Words Words Words, o romancista, contista e poeta georgiano David Dephy conversa com personagens de Poe, Hemingway, Kipling, Dickens e Eurípedes. O narrador - Dephy? - descobre então as verdadeiras versões; não aquelas dos autores, mas da boca de Medeia, por exemplo:  - Mas na mitologia... - Na mitologia eu sou aquela da realidade - fiel ao meu marido, honesta. E no seu livro eu sou imoral, vingativa, indigna, rasa (...)  Por mais de dois mil anos eu tenho sido condenada a sofrer porque o autor acho que esse seria o modo mais interessante para o leitor (...) Os Deuses não me sacrificaram nem me apagaram...

A Bala de Juan Becerra e o Executado de David Dephy

São dois os contos da semana. Algo aproxima as histórias, uma dos confins de Europa, outra da vizinha Argentina. Guerras já foram narradas à exaustão, de diferentes formas. Os contos selecionados o fazem sob óticas no mínimo curiosas: Before the End, de David Dephy (BEF 2012, organizado por Hemon) trata de uma execução pelo próprio executado. O georgiano David Dephy inicia assim sua história   (tradução minha):  Os soldados formam em linha. Sou colocado na parede e eles me miram. A ordem do comandante é ouvida. "Fogo". Eles atiram.   O suposto traidor de Dephy descreve seus últimos segundos em três páginas. Lembra-se da infância. E ainda tem tempo para conversar com alguém: a sua morte, que não é, afinal, A Morte. É tempo de esclarecer as coisas: reafirma não ser desertor ou traidor, que tudo não passa de um equívoco. A voz, por outro lado, também: se você quer amar, deve ser capaz de odiar à primeira vista e lutar por aquele a quem odeia. Mas ninguém se...