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Fractura, de Andrés Neuman

Un terremoto fractura el presente, quiebra la perspectiva, remueve las placas de la memoria. Andrés Neuman (1977), argentino que vive na Espanha, já esteve aqui com O viajante do século. Agora, volta ao longo romance com Fractura .  O senhor Watanabe é, digamos, uma vítima da História: criança, estava com seu pai em Hiroshima quando caiu a primeira bomba atômica. Seu pai morreu na hora; ele sobreviveu. Tenta voltar para casa mas perde o ônibus. Sorte sua - não está em Nagasaki quando caiu a segunda bomba atômica, que pulverizou sua família. Agora, 66 anos depois, o velho Watanabe, depois de ter conhecido o mundo, está de volta ao Japão quando, numa espécie de hat trick macabro, acontece o acidente de Fukushima (depois de um terremoto e um tsunami). A vida de Yoshie Watanabe é contada por quatro mulheres a um jornalista, Jorge Pinedo. Da primeira, que o conheceu na Paris dos anos 60 até a última, vemos uma história de uma pessoa comum - se é que um sobrevivente nuclear pode ser cons...

Alguns barbarismos

Do livro Barbarismos, de Andrés Neuman. Algumas são ótimas: Bandeira: farrapo de baixo custo e alto preço. Santo: indivíduo tocado por um dom divino de eleger seus biógrafos. Urna: 1.   recipiente que contém os restos de um indivíduo. 2. nas eleições, idem. Xenófobo: indivíduo que despreza seus próprios antepassados.

Andrés Neuman é o próprio Viajante do Tempo

O Viajante do Tempo Andrés Neuman Tradução de Maria Paula Gurgel Ribeiro Alfaguara, 2011 454 p. Provavelmente encerrei 2013 com um grande livro. Andrés Neuman (1977), argentino que vive em Granada, Espanha, imagina uma cidade, Wandernburgo, situada entre a Prússia e a Saxônia e cujas ruas se movem durante as noites. O livro que acabo de ler foi editado no Brasil em 2011 mas escrito entre 2003 e 2008, ou seja, quando seu autor tinha entre 26 e 31 anos, o que apenas demonstra o meu fracasso... Numa gélida noite de inverno, Hans chega à cidade, em busca, apenas, de um quarto, para prosseguir sua viagem no dia seguinte. Acaba ficando. Não consegue deixá-la. Conhece o realejeiro e uma série de personagens da sociedade local - sua verdadeira razão acaba sendo Sophie Gottlieb, filha de um sólido comerciante da cidade.  O romance se passa em meados do século XIX. Neuman consegue, sem forçar a barra ou cair em didatismos estéreis para um livro de ficção, pas...

Conto da semana - jogando xadrez

Um conto do escritor argentino radicado na Espanha, Andrés Neuman, que pode ser lido aqui no original, diretamente do site da revista chilena   Ojoseco. A Partida trata de um encontro entre amigos - Riquelme e o narrador - que há muito não se viam. Os dois se encontram para uma partida de xadrez - presença garantida em contos e romances... Para ficar na literatura argentina, lá vai Borges: I Regem no seu recanto os jogadores As lentas peças. Esse tabuleiro Demora-os toda a noite no severo Âmbito em que se odeiam duas cores. Dentro irradiam mágicos rigores As formas; torre homérica, ligeiro Cavalo, sagaz dama, rei postreiro, Bispo oblíquo e peões agressores. E quando os jogadores tiverem ido, Depois do tempo os ter já consumido, Decerto não terá cessado o rito. No Oriente incendiou-se esta guerra Cujo anfiteatro é hoje toda a terra. Como o outro, este jogo é infinito. II Tênue rei, torto bispo, encarniçada Dama, torre direta e peão ladino Sobre ...