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Frick Collection, NY, 2015

Cresci em Nova York, que tem mais Vermeers (oito) do que qualquer outra cidade no mundo. Do que qualquer país (há apenas sete na Holanda). Eu nunca vivi numa cidade sem um Vermeer. É assim que termina o poema Why I love Vermeer, do americano Lloyd Schwartz. E, assim sendo, seu museu favorito em NY é a Frick Collection, na 5ª Avenida com 70, que possui em seu acervo três Vermeers. Considerado um dos melhores museus pequenos do mundo, a Frick vale a visita mas, como ocorre na Morgan Library, passa despercebida e esnobada pela turba de turistas. Melhor assim. Além de Vermeer, encontramos Rembrandt, Van Dycks, Goyas. Há uma sala para Fragonard. Os italianos da Renascença, como Giovanni Bellini, são aquisições de sua filha (ele não gostava). Frick apreciava também os ingleses Turner e Constable. Henry Clay Frick (1849-1919) não era um sujeito fácil. Foi considerado o homem mais odiado da América, devido ao seu notório antissindicalismo e sua participação na repressão a ...

O chapéu de Vermeer, de Timothy Brook

O chapéu de Vermeer Timothy Brook Record, 2012 Tradução: Maria Beatriz de Medina 278 p. O que um pintor conhecido pelos belos quadros reproduzindo os interiores dos lares e das famílias holandesas tem a nos dizer a respeito da primeira onda da globalização, no século XVII? E sobre a China da dinastia Ming? O canadense Timothy Brook é professor de História da China na Universidade de Oxford escreve um livro de história, um livro sobre a expansão europeia e a busca (sim, desde o século XVI) pelo eldorado chinês. E usa como fio condutor de seu trabalho cinco quadros de Vermeer, um de van der Burch, outro de Leonaert Bramer e um prato do Museu Lambert van Meerten, em Delft. Na única paisagem ao ar livre que produziu, Vista de Delft, vemos o porto fluvial e os escritórios e armazéns da VOC, a mitológica Companhia das Índias Orientais, a primeira grande sociedade anônima, fundada em 1602 e extinta em 1800. Para Proust, era o quadro mais belo do mundo. Ofici...