Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Elias Canetti

Fique em casa: a casa de Elias Canetti

A casa onde nasceu Elias Canetti, em Ruse, Bulgária. Em  http://historyloversclub.com/famous-peoples-houses/7/

O bom viajante segundo Elias Canetti

O que é a língua? O que ela esconde? O que nos rouba? Ao longo das semanas que permaneci no Marrocos, não tentei aprender nem árabe nem os dialetos bérberes. Não quis perder nada do poder exótico dos seus gritos. Queria ser atingido por seus gritos, tal como eles eram, sem enfraquecê-los devido a um saber artificial e insuficiente. Não havia lido nada sobre o país. Seus costumes me eram tão estranhos quanto seus habitantes. O pouco que se aprende sobre um país e um povo durante uma vida facilmente se esquece nas primeiras horas. Mas restou-me a palavra Alá e esta eu não pude evitar. Com isso eu estava equipado para a minha experiência mais frequente, mais comovente e duradoura: a dos cegos. Em viagens aceitamos tudo, a indignação fica em casa. Olha-se, escuta-se, encantamo-nos com as coisas mais terríveis, porque são novidades. O bom viajante não tem coração. Elias Canetti, Vozes de Marrakesh. L&PM, 1987, p. 28. Tradução de Marijane Lisboa

A Casa de Canetti

No nº 12 de Ulica Slavianska, em Ruse, que dese em linha reta até o porto, há ainda junto à sacada de ferro batido um grande monograma de pedra com um C; a casa de três andares era a firma do avô de Canetti; agora é uma loja de móveis. Já o bairro dos spanioli - que outrora em Ruse eram numerosos empreendedores e um pouco exclusivistas - ainda mostra as cadas baixas no meio do verde, geralmente de um só andar. Os judeus viviam bem na Bulgária; em seu livro sobre Eichmann, Hannah Arendt relembra como a população búlgara, quando os aliados nazistas obrigaram o governo de Sofia a impor o distintivo aos judeus, manifestava sua simpatia por quem o levava e procurava geralmente dificultar ou atenuar as medidas anti-semitas. No bairro existe ainda a casa da infância de Canetti; é o diretor dos museus da cidade, Stojan Jordanov, homem culto, afável e inteligente, quem nos leva a essa casa, na rua Gurko 13, endereço que Canetti, na sua autobiografia, evita cuidadosamente precisar. ...

Três aforismos de Elias Canetti

Como narrador bondoso, adquiriu a confiança da humanidade dois meses antes de ela ir pelos ares. * Ele se considera profundo, pois apenas imita aqueles autores dos quais não resta mais nada senão frases incompletas. * Aquele tem um poeta na barriga, se ao menos o pudesse por na língua! Elias Canetti, Sobre os Escritores, tradução de Kristina Michahelles – José Olympio Editora.

Era Pushkin

Eschbach, presidente do Tribunal do Comércio de Estrasburgo, contou para a minha amiga Madeleine C. que, na sua juventude, visitou um velho senhor em Sulz que habitava o castelo local. Este já estava um pouco perturbado e disse, certa vez: Dans ma jeneusse quand j’étais em Russie, j’ai tué quelqu’un en duel. Mais je ne sais plus qui c’était [Na minha juventude, quando estava na Rússia, matei alguém num duelo. Mas não sei mais quem era] Era Pushkin. Elias Canetti. Sobre os escritores. José Olympio. Apresentação de Ivo Barroso. Tradução de Kristina Michahelles.

Subindo Babel

A Torre de Babel. Pieter Brueghel, o Velho, c. 1563 - Museu Kunsthistorisches, Viena Para mim, o maior prazer em aprender um idioma é poder descobrir novos autores e lê-los no original. Também ganhar mais acesso às televisões estrangeiras é um grande barato. E, claro, viajar. Por isso, confesso uma certa inveja de pessoas e personagens poliglotas. Marco Lucchesi, o mais novo membro da ABL, pode se dar ao luxo de ler não só em línguas "conhecidas" como francês, italiano e inglês, como também em servo-croata, persa, romeno, russo e mais uma dezena. Em A Língua Absolvida (Companhia das Letras, 1996), Elias Canetti fala de seu avô, Elias Abraham Canetti, comerciante que se gabava de dominar 17 idiomas. Impossível disfarçar a inveja...