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Monteiro Lobato: Não arrasem o Morro do Castelo!

Da série Rio 450 Anacronismo vivo, D. João VI paredes-meias com Epitácio, século XVI  entreaberto à curiosidade do século 20, sobrevivência fossilizada de eras  para sempre perdidas, é um ancião de barbas brancas, de cócoras à  beira-mar, rememorando o muito que já lhe passou diante dos olhos.  Mas triste. Percebe que virou negócio, que o verdadeiro tesouro oculto  em suas entranhas não é a imagem de ouro maciço de Santo Inácio e  sim o panamá do arrasamento. E desconfia que seu fim está próximo.  Os homens de hoje são negocistas sem alma. Querem dinheiro. Para  obtê-lo venderão tudo, venderiam até a alma se a tivessem. Como pode  ele, pois, resistir à maré, se suas credenciais - velhice, beleza, pitoresco,  historicidade - não são valores de cotação na bolsa? No final, um dos únicos - ou o único - a se manifestar contra o desmonte, iniciado em 1920. Do morro, não sobrou nada. Obra do prefeito Carlos Sampaio, que queria s...