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Mostrando postagens com o rótulo Alberto Manguel

A Biblioteca à Noite em Copacabana

Imperdível. No SESC Copacabana, a exposição que já correu alguns países e já passou por São Paulo. Quem leu A biblioteca à noite vai reencontrar algumas das bibliotecas comentadas pelo autor - inclusive a dele. 

Com Borges, de Alberto Manguel

Com Borges Alberto Manguel Traduzido por Priscila Catão Editora Âyiné, 2018 Abro caminho com os ombros no meio da multidão na Calle Florida, entro na recém-construída Galeria del Este, saio pelo outro lado e atravesso a Calle Maipú e, encostando-me na fachada de mármore vermelho do número 994, pressiono o botão do 6B. Entro no hall frio do prédio e subo os seis andares de escada. Toco a campainha e a empregada abre a porta, mas, antes que ela me deixe entrar, Borges sai de trás de uma cortina, com a postura bastante ereta, terno cinza abotoado, camisa branca e gravata amarela listrada levemente torta, arrastando-se um pouco ao se aproximar. Cego desde quando havia quase sessenta anos, ele se move hesitante mesmo num espaço que conhece tão bem quanto o seu. Estende a mão direita e me dá as boas-vindas com um aperto distraído e fraco. Não há mais formalidades. Ele se vira e me guia até a sala de estar, sentando-se ereto no sofá virado para a entrada. Eu me acomodo na poltro...

Alberto Manguel, diretor da Biblioteca Nacional

Atualmente em Nova York, onde está lecionando um semestre em Princeton e em Columbia sobre Borges (2016 é o 30º ano de sua morte), Alberto Manguel é o novo diretor da Biblioteca Nacional argentina. Borges esteve à frente da instituição de 1955 a 1973.

Dante

A obra de Dante tem uma profundidade estética e intelectual que permite encontrar quase qualquer coisa que se possa procurar nela. Também tem uma espécie de perfeição artística, que é algo milagroso. Numa perspectiva intelectual isso pode explicar-se pela grande inteligência e pela grande capacidade de Dante para assimilar os conhecimentos da sua época e os transformar em poesia, encontrando vínculos entre os diferentes temas que aborda. Mas a beleza da  Divina Comédia  não se pode explicar por razões intelectuais ou técnicas. Tem algo de música, tem algo visual, tem uma beleza conceptual também. Todos esses elementos juntos são, cada um, extraordinários, mas tampouco chegam para explicar o conjunto tão extraordinário da obra. É a obra mais milagrosa da literatura universal . (Alberto Manguel em entrevista ao Público - Ipsilon -  aqui. )

Circunferência em toda parte e centro em lugar nenhum

INTERNET: Um lugar que, como o Deus dos estudiosos medievais, tem sua circunferência em toda parte e seu centro em lugar nenhum. Como a lua de Ariosto, é um reino onde pode ser encontrado tudo o que esquecemos, e nos alivia da responsabilidade de lembrar de coisas por conta própria. Seus defensores esperam que, eventualmente, a internet vai aliviar-nos de pensar completamente. (Alberto Manguel para seu Dicionário )

Em defesa da sátira

Por Alberto Manguel, em espanhol, no  Babelia de hoje.

O derrame e o escritor - pensamentos que não podem ser ditos

Numa noite, uma semana antes do último Natal, sentei-me para responder uma carta. Mas quando estava para escrever as primeiras palavras, senti-as escapando de mim, desmanchando-se no ar antes de alcançar o papel. Fiquei surpreso, mas não preocupado. Estava muito cansado e prometi a mim mesmo parar assim que acabasse a nota. Tentando me concentrar, esforçei-me para formar em minha mente a frase. Deveria escrever. Mas mesmo sabendo a essência do que eu queria dizer, a frase não tomava corpo. As palavras se rebelaram, se recusaram a fazer o que eu lhes pedia: ao contrário de Humpty Dumpty, que diz a Alice que quando usa as palavras "a questão é quem deve ser o mestre - isto é tudo", eu me senti muito fraco para dar às palavras as ordens que elas deveriam seguir. Alberto Manguel sofreu um derrame no último Natal.  Passado o susto, escreveu  este artigo no New York Times  sobre sua experiência, refletindo, ainda, sobre o ato de escrever - e de ler.

Manguel sobre Munro

Quando a conheci, me decepcionei. Não queria falar de literatura, muito menos de sua obra; apenas aventurava algum juízo sobre algum livro que havia lido, mas raramente sobre um contemporâneo. Por outro lado, me dei conta de que observava cada detalhe da gente que nos cercava, os gestos que eu fazia, alguma particularidade do café em que estávamos. Em um dos seus melhores contos, Material, uma escritora sentada junto ao leito de um hospital em que sua mãe está agonizando não pode evitar de pensar em como utilizará esta cena em um conto. Imagino que para Alice Munro, assim é a vida: um exercício de observação da resignação, da angústia, da felicidade, da dor dos outros e dela mesma, para depois oferecer aos seus leitores estas pequenas obras-primas em que todos os nossos mundos estão refletidos. Alberto Manguel sobre Alice Munro. O artigo, em espanhol, foi publicado no jornal El País, e pode ser lido  aqui.

To be or not to be

A Revista Cult publica este mês entrevista com Alberto Manguel, que pode ser lida  aqui .  Nossa identidade tem origem na própria língua. No meu caso, o inglês e o alemão foram as primeiras línguas até os 8 anos. As ideias se formam para mim primeiro em inglês, hoje mais que o alemão, pois deixei de usá-lo há tempo, embora seja ainda fluente. Quando falo e, sobretudo, quando escrevo em espanhol há como um pequeno esforço de tradução.  É curioso até que ponto a língua nos define, define nossa vida intelectual e forma de pensar, inclusive as ideias que temos. Certas ideias que um escritor de língua portuguesa formula, o faz por estar pensando em português. Essa mesma ideia não seria formulada por um escritor de língua inglesa ou chinesa. Há um poema de um argentino pouco conhecido, o José Pedroni: ele escreveu que o momento em que se dá conta de que está enamorado é "quando o você passa para tu". Um lusófono não poderia ter essa ideia - e esse é um exemplo banal. Uma a...

Exorcizando personagens

Uma vez li que na Mongólia, quando alguém se dispõe a contar uma história, deve cumprir como prólogo um rito mágico para evitar que os fantasmas conjurados pela narração se instalem entre os vivos. Depois o narrador pode contar tranquilamente, sabendo que, ao terminar, seus personagens voltarão à obscuridade da qual saíram. Não sei se tal precaução seria entendida no Ocidente, onde a vaidade do autor quer não apenas que suas criaturas imaginadas ganhem vida entre seu público, como que sejam também imortais e por aqui permaneçam para sempre . Uma tradução livre de Cuento de la enamorada, o prefácio de Alberto Manguel para o romance El pais imaginado, do argentino Eduardo Berti.

Eu e o Kindle

Alberto Manguel já escreveu um livro sobre as bibliotecas (incluindo a sua) e outro sobre os livros que lia à medida em que arrumava a sua (levou um ano para isso!), em Poitiers, numa construção medieval. Tendo que me contentar com a realidade de apartamento e filhos, o Kindle já representa uma revolução. Desde novembro passado, me sinto absolutamente à vontade para comprar e ler aquilo que muitas vezes encontramos na livraria, mas pensamos: "Vale a pena ocupar espaço lá em casa com essas oitocentas páginas?" No final do ano passado, a uma semana da divulgação do Booker Prize, os finalistas já estavam todos disponíveis pela Amazon. Para quem gosta de literatura em língua inglesa contemporânea, é perfeito. Há clássicos que ainda (que eu saiba) não foram editados no Brasil (ou já se esgotaram), como a Marcha Radetzky, de Joseph Roth (austríaco que não tem qualquer relação com o Philip Roth). Há um fato curioso: somos leitores "Latin America&Caribe". Os livros ...