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Mostrando postagens com o rótulo Liev Tolstoi

Tolstoi lê Tolstoi

Uma raridade, disponível (ao menos por enquanto) no YouTube. Tolstoi lê em russo, inglês, alemão e francês, diretamente de sua propriedade em Yasnaya Polyana, em 31 de outubro de 1909. O som não ajuda muito, mas não deixa de ser interessante.

No cinema, nova versão de Anna Karenina

Dirigido por Joe Wright. Com Keira Knightley, Jude Law, Emily Watson. Alguém se lembra da versão de 1997? 

GUERRA E PAZ (5)

E chego ao fim daquela que, para Daniel Piza, é a maior epopeia escrita desde a Odisseia... O Epílogo é dividido em duas partes: na primeira, sabemos que Natasha e Pierre se casaram em 1813, mesmo ano da morte do conde Rostov, que implora o perdão da família pela ruína econômica. Nikolai aceita a herança do conde; no outono de 1814, casa-se com Mária. Anos depois, Natasha está fisicamente irreconhecível; mãe de quatro filhos e totalmente devotada a eles e a Pierre. O extremo oposto da Natasha que nos foi apresentada no início do romance. O filho de Andrei, Nikolienka, agora tem 15 anos e venera Pierre. Vive agora com Nikolai, que pagou todas as dívidas do velho conde e agora prospera. E é justamente Nikolienka quem encerra a primeira parte (e, a rigor, o romance): “E o tio Pierre! Ah, que homem incrível! E o pai? O pai! O pai! Sim, eu farei coisas que até ele iria admirar...”. A rigor, estas são as últimas frases do romance. E os personagens ficam para sempre na cabeça dos le...

GUERRA E PAZ (4)

Incêndio de Moscou, Smirnov (1813) O Livro 4 é bem "curto" para os padrões: quase 400 páginas. O incêndio de Moscou é o acontecimento mais marcante de seu início, ao qual irá se seguir a retirada atabalhoada de Napoleão. A retirada de Moscou Pierre, que se fez prisioneiro para matar Napoleão, conhece Platon Karatáiev, que apesar de merecer poucas páginas no romance (mais exatamente o capítulo XIII da Primeira Parte), é um personagem marcante - simboliza aquilo que Tolstoi vê de mais autêntico no homem russo: Platon Karatáiev devia ter uns cinquenta anos, a julgar por suas histórias sobre as campanhas militares de que havia participado como soldado veterano. Ele mesmo não sabia sua idade e não havia meios de determinar quantos anos tinha (...) Seu rosto, apesar das pequenas rugas redondas, tinha uma expressão de inocência e juventude; sua voz era agradável e melodiosa. Mas a peculiaridade mais importante do seu modo de falar era a espontaneidade e a pr...

GUERRA E PAZ (3)

Uma hérnia de disco inesperada e uma semana de molho, e lá se foram as quase 700 páginas do Livro 3, que tem seu ápice na Batalha de Borodino. Tolstoi também fala de suas  teorias sobre a História: Se dependia da vontade de Napoleão oferecer a batalha ou não e se dependia da sua vontade dar uma ordem ou outra qualquer, então é evidente que um resfriado, capaz de influenciar a manifestação da sua vontade, podia ser a causa da salvação da Rússia e, portanto, o camareiro que no dia 24 esqueceu de dar a Napoleão as botas impermeáveis foi o salvador da Rússia. Nessa linha de raciocínio, tal conclusão é indiscutível – tão indiscutível quanto a conclusão que, de zombaria (sem que ele mesmo soubesse de que estava zombando), fez Voltaire ao dizer que o massacre da noite de São Bartolomeu ocorreu por causa de uma indigestão de Carlos IX. Mas, para as pessoas que não admitem que a Rússia tenha sido formada pela vontade de um só homem – Pedro I – nem que o império francês tenha se consti...

GUERRA E PAZ (2)

O Livro 1 termina com a surra que os russos e austríacos tomaram de Napoleão em Austerlitz. O Livro 2, com suas 600 páginas, começa com Rostov voltando para casa, em Moscou, sendo recebido com entusiasmo pela família.  Um momento tocante é a morte da princesa Lisa, ao dar à luz. "Eu amava vocês todos, não fiz mal nenhum a ninguém, e o que vocês fizeram comigo? Ah, o que vocês fizeram comigo?", dizia o seu rosto encantador, sofrido e morto. Num canto do quarto, alguma coisa pequena, vermelha, soltava pios e grunhidos nas mãos brancas e trêmulas de Mária Bogdánova.  Só cinco dias depois o pequeno príncipe Nikolai Andreitch foi batizado. E o príncipe Andrei, arrasado. Pierre, por sua vez, agora rico, casa-se com Helena, o que se revela uma tremenda estupidez. Acaba se envolvendo em duelos e por fim é apresentado - com entusiasmo - à maçonaria, e se deixa convencer com a conversa do Grande Arquiteto... Atenção também ao trecho da caçada ao lobo, em 14 de sete...

GUERRA E PAZ (1)

A edição da Cosac Naify, caprichada como sempre, conta com a tradução de Rubens Figueiredo, a primeira diretamente do russo. Um grande livro grande, que cobre a Rússia de 1805 a 1812, cobrindo as guerras com a França – mas nunca a elas se resumindo. A infinidade de personagens, reais ou não, assusta qualquer um, mas a edição apresenta um glossário com os personagens reais. Uma vantagem é que Tolstoi procura expor amplamente as qualidades – e defeitos – de seus personagens, o que, de certa forma, facilita a vida do leitor. Uma curiosidade: estávamos até então acostumados e submetidos a traduções feitas a partir de versões francesas. Mas nesta, fica evidente que – estamos no século XIX – a nobreza russa fala mesmo é o francês – há parágrafos inteiros; diálogos e cartas escritas originalmente neste idioma. E isso com Napoleão batendo à porta... O Livro I tem 610 páginas. A história se inicia em São Petersburgo, 1805, Pierre é o filho ilegítimo do conde Bezukov, que o rec...

Khadji-Múrat, de Liev Tolstoi

Khadji-Múrat Editora Cosac Naify 2009 224 páginas Tradução de Boris Schnaiderman Vorontzov recebeu Khadji-Múrat, parado na extremidade da mesa. O velho rosto alvo do comandante em chefe não estava sorridente como na véspera, parecia antes severo e solene. Entrando na grande sala, com a mesa enorme e as janelas amplas, de rótulas verdes, Khadji-Múrat enconstou as mãos pequenas e queimadas de sol àquela parte do peito em que se cruzava a tcherkeska branca e disse clara e respeitosamente, em dialeto kumiko, que ele conhecia bem, sem se apressar e de olhos baixos: -  Entrego-me à alta proteção do grande czar e à vossa. Prometo servir ao czar branco fielmente, até a última gota de sangue, e espero ser útil na guerra contra Chamil, inimigo meu e vosso (p. 95). Tolstoi escreveu grandes romances grandes, como Anna Karenina e Guerra e Paz, além de novelas – algo entre um romance breve e um conto longo. Meu favorito é A Morte de Ivan Ilych . Todo estudante de ...