terça-feira, 6 de março de 2012

GUERRA E PAZ (3)


Uma hérnia de disco inesperada e uma semana de molho, e lá se foram as quase 700 páginas do Livro 3, que tem seu ápice na Batalha de Borodino. Tolstoi também fala de suas  teorias sobre a História:

Se dependia da vontade de Napoleão oferecer a batalha ou não e se dependia da sua vontade dar uma ordem ou outra qualquer, então é evidente que um resfriado, capaz de influenciar a manifestação da sua vontade, podia ser a causa da salvação da Rússia e, portanto, o camareiro que no dia 24 esqueceu de dar a Napoleão as botas impermeáveis foi o salvador da Rússia. Nessa linha de raciocínio, tal conclusão é indiscutível – tão indiscutível quanto a conclusão que, de zombaria (sem que ele mesmo soubesse de que estava zombando), fez Voltaire ao dizer que o massacre da noite de São Bartolomeu ocorreu por causa de uma indigestão de Carlos IX. Mas, para as pessoas que não admitem que a Rússia tenha sido formada pela vontade de um só homem – Pedro I – nem que o império francês tenha se constituído e a guerra contra a Rússia tenha tido início pela vontade de um só homem – Napoleão – tal raciocínio não só parece equivocado e absurdo, como também contrário a toda essência humana.




A batalha é encenada todos os anos e, no próximo setembro, completará 200 anos.

Encenação da Batalha de Borodino (1812) entre as tropas de Napoleão e tropas russas

Apesar disso, a maioria dos historiadores considera que os franceses foram os vitoriosos. E de lá, partiram para Moscou, a capital asiática tão cobiçada e idealizada por Napoleão.

No livro, Kutuzov reaparece e desta vez, se redime da surra de Austerlitz. A descrição tão esmerada do conflito mostra toda a dedicação e a pesquisa empreendida por Tolstoi. Boa parte do Livro se dedica aos detalhes do teatro de guerra.

Napoleão titubeia: o aspecto terrível do campo de batalha, coberto de cadáveres e de feridos, somado ao peso que sentia na cabeça, às notícias de que vinte generais conhecidos seus tinham sido mortos ou feridos e à consciência da fraqueza de seu braço antes poderoso produziram uma impressão inesperada em Napoleão, que em geral gostava de contemplar os feridos e os mortos, pondo à prova desse modo a sua força de espírito (assim ele pensava).

Sobre Napoleão, ainda, Pierre faz uma série de raciocínios e contas, e chega à conclusão de que se trata do Anticristo (666). O velho príncipe Bolkonski, pai de Mária e André, morre. Pierre, por sua vez, está determinado a matar Napoleão, e se passará por um camponês para alcançar seu objetivo.

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