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Mostrando postagens com o rótulo Literatura: Peru

Pantaleão e as visitadoras, de Mario Vargas Llosa

  Pantaleão e as visitadoras Mario Vargas Llosa Alfaguara Tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman 246 p.  Publicado em 1973, é um dos mais conhecidos e elogiados romances de Mario Vargas Llosa. Pantaleão Pantoja é um oficial com um futuro brilhante pela frente no Exército, e recebe a missão (secreta) de organizar o Serviço de Visitadoras para Guarnições, Postos de Fronteiras e Afins, sob a burocrática sigla SVGPFA. Uma operação para baixar a temperatura da tropa: um serviço de prostitutas que devem saciar os soldados solitários e perdidos em serviço no interior da selva amazônica, e que se tornaram uma ameaça para as mulheres e animais da região. Diligentemente, Pantaleão, que não fuma, não bebe, jamais traiu sua mulher - um sujeito que não cede a vícios e tentações - faz um estudo de mercado completo. Sua planilha merecia ser estudada nos MBA: quantifica o público alvo, estabelece o número de visitadoras a contratar, o tempo de cada "visita"....

Cinco Esquinas, de Mario Vargas Llosa

Em 1990, o candidato  Vargas Llosa é derrotado por Alberto Fujimori, que se torna, então, Presidente do Peru. Azar do Peru, uma vez que sabemos o que aconteceu a partir de então. E sorte de Vargas Llosa, que passa a se dedicar integralmente à literatura. Em 2010, recebe o Nobel. Em 2010, Fujimori já se encontrava condenado a uma infinidade de anos de prisão... Mas os anos Fujimori tinham de, em algum momento, ser trabalhados por Vargas Llosa, que o fez agora, com Cinco Esquinas (editora Alfaguara, tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman, 213 páginas). Como dito pelo próprio autor, trata-se de um romance que aborda vários aspectos do regime que durou de 1990 a 2000, com seus toques de recolher, medo de atentados, mas também o uso, pelo governo, de jornais sensacionalistas para destruir reputações de opositores ou de qualquer um que não cedesse aos seus achaques (tema, aliás, já tratado em seu ensaio A civilização do espetáculo , que não li). E aqui entram os dois casais...

Madame Bovary, de Gustave Flaubert (II)

Depois do clássico, vale a pena ler A orgia perpétua: Flaubert e Madame Bovary , de Mario Vargas Llosa: um estudo completo da obra, em três aspectos: - o impacto que o romance lhe causou como leitor - algo que sempre me interessa: Um punhado de personagens literários marcou minha vida de maneira mais duradoura que boa parte dos seres de carne e osso que conheci (...) Nesse círculo heterogêneo e cosmopolita, bando de fantasmas amigos que se renova segundo as épocas e o humor - hoje eu mencionaria de imediato D'Artagnan, David Copperfield, Jean Valjean, o príncipe Pierre Berzúkhov, Fabrice del Dongo, os terroristas Tchen e o Professor, Lena Grove  o condenado alto - ninguém mais persistente e com quem tenha tido uma relação mais claramente passional que Emma Bovary. - a análise detalhada da obra, desde sua concepção, sua estrutura, as influências da realidade e dos autores que Flaubert leu durante os anos de construção do seu romance, além, claro, de aspectos da vida do ...