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Cinco Esquinas, de Mario Vargas Llosa

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Em 1990, o candidato  Vargas Llosa é derrotado por Alberto Fujimori, que se torna, então, Presidente do Peru. Azar do Peru, uma vez que sabemos o que aconteceu a partir de então. E sorte de Vargas Llosa, que passa a se dedicar integralmente à literatura. Em 2010, recebe o Nobel. Em 2010, Fujimori já se encontrava condenado a uma infinidade de anos de prisão...

Mas os anos Fujimori tinham de, em algum momento, ser trabalhados por Vargas Llosa, que o fez agora, com Cinco Esquinas (editora Alfaguara, tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman, 213 páginas). Como dito pelo próprio autor, trata-se de um romance que aborda vários aspectos do regime que durou de 1990 a 2000, com seus toques de recolher, medo de atentados, mas também o uso, pelo governo, de jornais sensacionalistas para destruir reputações de opositores ou de qualquer um que não cedesse aos seus achaques (tema, aliás, já tratado em seu ensaio A civilização do espetáculo, que não li).

E aqui entram os dois casais da história, Marisa e Enrique (Quique) Cárdenas, engenheiro de sucesso, e Chabela e Luciano, grande advogado. O livro abre com uma noite em que as mulheres passam juntas (na conversa, perdeu-se a hora de ir embora e o toque de recolher as obrigou a compartilhar não apenas o mesmo apartamento como também a mesma cama). Os maridos não desconfiam de nada. As mulheres se dedicam a Miami e às compras; os maridos se dedicam a enriquecer. 

E eis que o engenheiro Enrique se vê chantageado por uma figura estranha, que comanda um jornal da imprensa marrom. Uma foto tirada do respeitável pai de família Cárdenas numa orgia... Por trás disso, há uma figura ainda mais sinistra, o Doutor (que não é ninguém menos que Vladimir Montesinos, chefe do Serviço de Inteligência Nacional do período Fujimori). 

Um bom livro, que li num feriado. O sonho do celta foi mais interessante. E, agora, preparo fôlego para Guerra do fim do mundo. 

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