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Mostrando postagens com o rótulo Jean Renoir

Renoir (2012), de Gilles Bourdos

Inesperadamente, este filme ficou em cartaz por várias semanas, o que me permitiu assisti-lo. O filme se concentra na relação entre o velho Pierre-Auguste Renoir (Michel Bouquet), sua modelo Andrée Heuschling (Christa Theret) e o filho Jean - sim, o cineasta. Em 1915, Jean volta para a casa do pai, em Cagnes, no sul da França. O pai já está bem debilitado. Jean está se recuperando de um ferimento (ele serve no front - afinal, estamos na Primeira Guerra) e está descobrindo esta nova arte que é o cinema. Andrée, com quem acaba se envolvendo, é grande entusiasta deste novo rumo - na verdade, eles vieram a se casar; ela foi estrela dos primeiros filmes do grande cineasta, sob o nome de Catherine Hessling, até se separar do diretor. Na primeira cena, ela está chegando à casa do mestre. Tinha apenas 15 anos e disse ter sido indicada pela falecida sra. Renoir; o pintor já está com seus 74 e sofre de artrose. O monte de mulheres que trabalha para Auguste não vai muito com a car...

La Règle du Jeu (1939), de Jean Renoir

André Jurieux (Roland Toutain) é um aviador que acaba de bater um recorde de travessia atlântica, ainda que quase dez anos depois de Linderbergh; ao ser entrevistado, a primeira coisa que diz é que nada daquilo valeu a pena – Christine não estava lá para recebê-lo. O problema é que Christine (Nora Gregor) é a esposa do Marquês de la Cheyniest (Marcel Dario). Não que seja uma surpresa para o marquês – o casal está em casa, ouvindo a cobertura da chegada de André pelo radio e isso fica bem claro – de forma jocosa, inclusive. Octave (o próprio Renoir) é o melhor amigo de André, e também disputa Christine - tem a grande vantagem de flanar habilmente entre a criadagem e os patrões. É, na verdade, o grande personagem do filme... O marquês resolve convidar ilustres membros da sociedade para um fim de semana de caça – e obviamente convida André. E a partir daí o filme se mostra pesadamente crítico em relação à sociedade francesa (não à toa, foi proibido pela censura militar francesa – a g...

La Marseillaise (1937), de Jean Renoir

Um dos grandes filmes de Jean Renoir, filho do pintor, e que retrata episódios desde a Queda da Bastilha até a deposição de Luis XVI (1793). A criação do hino é um dos temas centrais do filme. O 14 de Julho, na verdade, aparece apenas no início do filme, quando vemos Luis XVI almoçando e se dizendo cansado de uma caçada. O grande personagem, nas palavras do próprio diretor, é o povo francês. Segundo ele, é quem faltava até então - muitos filmes falavam de Napoleão ou do rei, ou mesmo dos principais revolucionários. Mas aqui, não: é o povo.   Para Martin Scorsese, um dos melhores filmes históricos jamais feitos. Renoir exalta a ideia de liberdade num momento em que Hitler já projeta sua sombra por toda a Europa. A invasão da França pelos prussianos não poderia ser mais atual – o filme é de 1937. No final, o rei (interpretado pelo irmão do diretor), fugindo do palácio, observa que as folhas estão caindo mais cedo naquele ano – óbvia a analogia à monarquia. A última cena mostra o...