quinta-feira, 14 de abril de 2016

O magistrado de Chaucer

Um sábio e judicioso MAGISTRADO
(os que atendem no pórtico sagrado
Da catedral de Londres) lá estava:
Um homem de sabedoria rara
- Ou assim sugeriam seus discursos.
Aquele magistral jurisconsulto
Viajava com régia comissão,
Ganhando universal reputação
E juntando presentes, rendimentos.
Usava seu legal discernimento
Comprando terras ao menor tributo.
Era um negociador bem vivo e arguto,
E era o mais ocupado da Inglaterra.
(Mas parecia ser mais do que ele era).
Sabia todo caso memorando
Desde William, primeiro rei normando.
Cada processo seu era obra-prima
E nem o mais astuto casuísta
Podia abrir-lhe brechas no argumento.
Um casaco com mínimo ornamento,
Cinta em seda listrada - eis o que usava,
E de seus trajes não direi mais nada.

Prólogo geral, Contos da Cantuária
Tradução de José Francisco Botelho

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