sábado, 19 de março de 2016

O castelo branco, de Orhan Pamuk



No século XVII, um marinheiro italiano, indo de Veneza a Napoles, vê seu navio capturado pelos turcos. É feito escravo mas, graças aos seus conhecimentos de medicina (apesar de não ser médico), escapa de ser mandado para as galés e é comprado por Hoja, um professor ansioso por aprender tudo o possível sobre o Ocidente.

Uma fábula em pouco menos de 200 páginas, na forma de um manuscrito descoberto, de acordo com o prefácio, por um certo Faruk Darvinoglu (filho de Darwin). Hoja é um mestre, sim, mas ao longo dos anos torna-se cada vez mais difícil saber quem é mestre de quem (o italiano ensina-lhe astronomia e engenharia e, também, controle de doenças, em meio a uma epidemia de peste). E ambos tentam desenvolver uma arma de guerra letal. Os otomanos estão em seu auge, e a guerra, aqui, é contra os poloneses, nos Cárpatos.

Quem é quem? Lá pelas tantas, mais ou menos no meio do livro, ambos se olham no espelho, e o italiano reconhece: "somos uma mesma pessoa", a tal ponto de, ao final da história, não termos mais certeza se o italiano existiu mesmo ou tudo não passa de uma criação do turco, que afirma ter escrito toda a história. A confusão das identidades é um ponto chave do romance.

Uma curiosidade é a "participação" como personagem de Evlyia Çelebi, um grande viajante que efetivamente existiu no século XVII e conheceu todo o Império, além de países vizinhos.  Escreveu seu Livro de viagens - o Seyahatnâme. Mas para falar melhor de Çelebi, prefiro aguardar um pouco mais - voltarei a falar dele ainda este ano ou, na pior da hipóteses, no início de 2017...




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