segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O complexo de Portnoy, de Philip Roth


Este blog nasceu em 2011, quando Philip Roth já havia pendurado a caneta. De minha parte, comecei a ler sua obra a partir de 2000, com Operação Shylock (1993). Este ano, numa homenagem privada, depois do papelão sueco, resolvi ler aquele que, para muitos, é o seu melhor livro: O complexo de Portnoy, de 1969.

Escrito no auge da revolução sexual, é para mim um dos livros mais divertidos e engraçados que conheço. Há, sim, algo de Woody Allen na história de Alexander Portnoy, que narra sua vida, suas neuroses e suas frustrações ao psicanalista (que nada fala), o dr. Spielvogel. A mãe judia, o pai que trabalhava numa corretora de seguros (como, aliás, o pai de PR), a irmã obesa. A namorada culta não é boa de cama; a namorada liberada é simplesmente "inapresentável" intelectualmente - o que me lembra uma versão muito mais divertida de Cabeças Trocadas e Thomas Mann. E seu ataque frustrado a uma jovem do exército israelense... aliás, Roth é criticado com frequência pelas feministas.

Lê-lo em 1969 foi, certamente, mais revolucionário e perturbador do que em 2016. No entanto, o livro não ficou datado; pelo contrário: é inesperadamente atual. A biografia escrita por Claudia Roth mostra o quão revoltada ficou uma parte considerável da comunidade judaica americana. A ponto de o autor telefonar para a mãe, avisando-a que "provavelmente alguns jornalistas irão procurá-la para falar sobre nossa vida". Um erro comum nos leitores de Roth é encarar todos os seus livros como direta e escancaradamente autobiográficos.

E, hoje, passados mais de sete anos de sua aposentadoria, não há quem construa personagens tão bem quanto PR.


Um comentário:

  1. Construir personagens que estão no limite da caricatura e, ainda assim, são absolutamente verossímeis é o grande mérito do gênio de Philip Roth, nesse livro.

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