segunda-feira, 8 de agosto de 2011

L'Étranger, de Albert Camus


Ler Albert Camus é, para quem está estudando francês, uma oportunidade de ler no original um autor moderno, com uma linguagem mais próxima daquela usada hoje. E é, também, uma oportunidade de ler um dos clássicos do século XX. 

Camus (1913-1960) nasceu na Argélia e ganhou o Nobel de Literatura de 1957 (como um autor francês “não-metropolitano”, de acordo com a Academia Sueca).

É um livro conciso (a edição brasileira da Record tem cerca de 130 páginas); seus personagens não são muito desenvolvidos e são, acima de tudo, pessoas comuns. O enredo é conhecido até por quem não o leu. Mersault, o personagem central, é  um indiferente: foi assim que recebeu a notícia da morte de sua mãe; foi assim que foi ao cinema logo depois do enterro e mesmo quando comete o assassinato de um árabe. Sua condenação também não o altera. Ele não tem nenhuma vontade ou ambição – ele até aceita se casar, já que faria Marie feliz - mas simplesmente assiste ao passar dos dias...

Sua condenação se dá muito mais (quase exclusivamente) pela sua indiferença chocante em relação à mãe do que pelo assassinato em si. Ele não chorou a morte da mãe, é um estranho dentro da sociedade. Como muitos afirmam, ele é condenado por não seguir as regras do jogo – nossa sociedade.

Uma versão para o cinema foi dirigida por Visconti, com Mastroiani no papel de Mersault. A escolha do ator foi criticada na época por não parecer adequada ao personagem. Luiz Carlos Merten fala que a preferência de Visconti era por Alain Delon, bem como a transposição da história para a década de 60, algo que a viúva de Camus não admitiu.

Sobre Camus, ainda, acaba de sair na imprensa uma tese de que sua morte não teria sido acidental. A suspeita recai sobre a KGB, diante das críticas que o autor fez à União Soviética, como pode ser lido na página do jornal The Guardian

Nenhum comentário:

Postar um comentário