sexta-feira, 22 de julho de 2011

Senso (1954), de Luchino Visconti



Esta semana assisti ao filme Senso, de Visconti (1954). Alida Valli é a condessa Serpieri, que inicia um caso com o tenente austríaco Franz Mahler (Farley Granger), na Veneza de 1866, nos últimos dias do domínio austríaco sobre a região. A unificação da Itália está a caminho, ainda que o episódio abordado na história, a batalha de Custoza, tenha sido um desastre para os nacionalistas. Curiosamente, é dele outro filme passado na cidade, A Morte em Veneza, com música de “outro” Mahler...

A abertura do filme se dá no La Fenice, com a encenação da ópera de Verdi – Il Trovatore; os italianos deliram com a encenação e os austríacos torcem o nariz. O primo da condessa, Roberto Ussoni, é o líder dos nacionalistas italianos; o conde é um situacionista nato – apóia os austríacos mas, lá pelas tantas do filme, já quer se ajeitar no futuro governo italiano que se aproxima.

A cena em que o tenente segue a condessa pela noite em Veneza, ao som da Sétima Sinfonia de Bruckner , é das melhores do filme.



Mahler tem uma fama terrível com as mulheres. Mas ele bem que avisou a condessa para não amá-lo... Pede dinheiro para ela, para comprar uma declaração médica que lhe permitiria abandonar o exército e a guerra. A condessa acaba lhe entregando o valor, que na verdade era dinheiro para a causa nacionalista.

É óbvio que Mahler desaparece e somente vai ser achado, após ter abandonado o exército, na companhia de outra mulher...

A condessa trai o marido (a cena em que ele a segue, já suspeitando da traição, lembra mesmo uma ópera), o primo, a causa e a pátria. O tenente é um aproveitador dos mais baratos. No final, ela denuncia toda a armação de Mahler para seu superior. Afirma que o faz como uma patriota. O velho não entendeu; ainda pergunta com ironia - a condessa é austríaca?


Uma perfeita combinação de cinema, ópera e música clássica como poucas. Pena não ser tão conhecido por aqui como O Leopardo ou mesmo A Morte em Veneza.

3 comentários:

  1. O inocente e Obsessao retratam a decadencia nao so pessoal como sistemica melhor q Morte em Veneza. Ja Noites Brancas tem uma fotografia excepcional. Rocco e seus irmaos perdeu com o tempo. E Visconti era um aristocrata comunista mas nao era da FIESP

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  2. Ainda Visconti, fotografia e musica á serviço da decadencia: Ludwig (a decadencia do rei da Baviera), O Estrangeiro (baseado na obra de Camus, integral no You Tube)e Vagas Estrelas da Ursa Maior (magnifico,com musica de Saint-Saens) em DVD da Versátil, ainda a venda.

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  3. Revi O ESTRANGEIRO (Camus/Visconti). Para os advogados,um show. Argelia, calor, suor e as interpretações magistrais de Marcelo Mastroiani, Anna Karina e o grande Bernanrd Blier (o advogado de Marsaut). O suor do personagem se transmite para o espectador. Vale a pena (re)ver no You Tube.

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