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A história do filósofo que não tinha tempo para pensar

O conto da semana é O Dente Quebrado, do venezuelano Pedro Emilio Coll (1872-1947), e está no volume 10 da coleção Mar de Histórias. A Bravo! o colocou entre os “100 contos essenciais da literatura universal”.

Veja se você não conhece algum Juan Peña...

Um moleque problemático e valentão, Juan Peña, leva uma pedrada enquanto brincava; quebra o dente e muda radicalmente de comportamento – passa a ser uma criança introspectiva e distante. O tal dente se transforma numa serra e, à falta de aptidão para coisa melhor, Juan passa os dias a roçá-lo com a língua.  Os pais, lógico, ficam desesperados, mas o médico dá um diagnóstico bem interessante:

- Que seu filho está são como um perro. O que é indiscutível – continuou, em voz misteriosa – é que estamos em face de um caso fenomenal: seu filho, minha estimável senhora, sofre daquilo a que hoje chamamos o mal de pensar; numa palavra, seu filho é um filósofo precoce, um gênio, talvez. Inicia-se, assim, a sua “era de ouro”.

E, de repente, na cidade todos passaram a ver no menino um superdotado. Passava os dias diante dos livros, mas que ele não lia, distraído, pela tarefa de sua língua ocupada em tocar a pequena serra do dente quebrado.

À medida que crescia, também crescia sua reputação de sábio. Foi deputado, acadêmico, ministro, e achava-se a pique de ser eleito presidente da República, quando a apoplexia o surpreendeu acariciando com a ponta da língua o seu dente quebrado.

E assim morreu o grande nome da pátria, o grande homem que não tivera tempo de pensar.

Comentários

  1. Texto *****

    Abraço e bom fim de semana.

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  2. Este conto já provocou entusiasmo em outra fonte:
    http://singrandohorizontes.wordpress.com/2010/06/13/pedro-emilio-coll-o-dente-quebrado/

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