segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Noites brancas, de Dostoievski



Mais novo, sempre lia algum autor russo nos escaldantes meses de verão do Rio. Todos podiam estar se dissolvendo à minha volta, mas havia um certo consolo em ler alguma história passada numa São Petersburgo ou numa Moscou - para não falar de algum ponto esquecido na Sibéria - congelada pelo tal General Inverno. 

No final de semana anterior ao Natal, finalmente leio Noites brancas, um daqueles livros que conhecemos antes mesmo de termos lido. Entre duas excelentes opções disponíveis para o leitor brasileiro, fiquei com a edição da Companhia Penguin, com a tradução de Rubens Figueiredo (um luxo, aliás, termos agora que escolher qual das boas edições da 34 ou da Companhia das Letras).

O problema de traduzir do russo não foi exclusivo do Brasil. Carpeaux já reclamava:

Dostoievski apareceu aos europeus ao lado de Turgeniev e Tolstoi; e nada mais natural do que a confusão entre eles: as traduções medíocres e pouco exatas não permitiram descobrir a imensa diferença dos estilos. Também se ignoravam as diferenças da condição social: Turgeniev e Tolstoi eram grandes senhores rurais; Dostoievski, um intelectual pequeno-burguês, homem da cidade.

O Sonhador caminha pelas ruas de São Petersburgo, sozinho, sem amigos ou conhecidos, mas que é capaz de "conversar" com a própria cidade - como se a arquitetura tomasse vida e expressasse sua opinião a respeito das últimas novidades... O sol mal se põe no verão russo. Na primeira noite, contudo, encontra uma jovem, desesperada e em prantos. Aproxima-se dela como nunca havia feito com ninguém; irá consolá-la. Ao longo das próximas noites, a aproximação improvável cresce, até o final abrupto da história.

Nos tempos de boas locadoras, hoje tão longínquos, consegui assistir à versão de Luchino Visconti (Le Notti Bianche, 1957), com Marcello Mastroianni e Maria Schell. Visconti troca São Petersburgo por Livorno. Aqui, o trailer:


Fique com os dois. Poucos grandes autores foram tão - e tão bem - levados ao cinema quanto Dostoievski.

4 comentários:

  1. Não esquecendo da magistral trilha sonora de Nino Rota. O filme é um dos poucos que reconstitui de maneira mais q satisfatória o livro em que é baseado

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  2. No Brasil exibido como "Um rosto na noite". Uma outra versão cinematográfica é de 2014 por Paul Vechiali

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  3. Vi nos idos dos anos 70, de Robert Bresson, "4 noites de um sonhador" tb baseado nos noites brancas. Excelente, embora fique diminuído se comparado ao do Visconti. Talvez ainda se ache no you tube. Vale a pena

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  4. O filme do Visconti, legendado em espanhol, esta em:
    https://www.youtube.com/watch?v=kuJJbpLb5Us

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