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Lisboa - Mosteiro dos Jerônimos

O viajante vem para a rua, é um viajante perdido. Aonde irá? Que lugares irá visitar? Que outros deixará de lado, por sua deliberação ou impossibilidade de ver tudo e falar de tudo?E que é ver tudo? Tão legítimo seria atravessar o jardim e ir ver os barcos no rio como entrar no Mosteiro dos Jerônimos. Ou então, nada disto, ficar apenas sentado no banco ou sobre a relva, a gozar o esplêndido e luminoso Sol. Diz-se que barco parado não faz viagem. Pois não, mas prepara-se para ela. O viajante enche de bom ar o peito, como quem levanta as velas a apanhar o vento do largo, e ruma para os Jerónimos. Saramago, Viagem a Portugal, p. 357.

No nosso caso, partimos da Praça Figueira, ao lado do Rossio, para pegarmos o elétrico 15, que nos deixou em frente ao Mosteiro. Um bonde que, para nosso azar, não tinha ventilação - sem ar condicionado e com todas as janelas hermeticamente fechadas, sob uma temperatura de quase 40 graus. Sair e entrar no Mosteiro foi quase uma experiência extrasensorial. Mas a verdade é que o clima em Belém é bem mais agradável que no centro de Lisboa.


Os Jerônimos estão muito bem preservados. Lá estão os túmulos de Vasco da Gama, Camões e Pessoa, ainda que o viajante insista que o Mosteiro dos Jerónimos são uma maravilha da arquitectura, não uma necrópole. 


O belo claustro:


Alexandre Herculano, que foi presidente da Câmara de Belém, também está aí. Mas o mais impressionante é a abóbada do transepto. 25 metros de altura, num vão de 29 metros por 19. Diz o viajante: Não há aqui pilar ou coluna que ampare a enorme massa da abóbada, lançada num só voo. Como um enorme casco de barco virado ao contrário, este bojo vertiginoso mostra o cavername, cobre com as suas obras vivas o espanto do viajante, que está vai  não vai para ajoelhar ali mesmo e louvar quem tal maravilha concebeu e construiu. p. 358.

Comentários

  1. Houve um tempo em que existiam antologias da lingua portuguesa e eram de leitura obrigatoria no curso secundario. Herculano, Eça, Gil (não o Gilberto,e sim o Vicente) alem dos nacionais Graça Aranha,Raul Pompeia,Lobato (seus contos para adultos - de humor certeiro),etc. A amostragem nos levava a leitura de um livro inteiro. Só assim li O Atheneu, cujo incendio era o trecho mais reproduzido nas antologias.E.

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