terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Eichmann no convento



Os bosques bávaros tinham seus profetas, os Waldpropheten, como o “Mühlhiasl” que trabalhava perto do convento de Windberg, por volta de 1800, e predizia apocalipses e renascimentos. Em 1934, entretanto, no convento refugiou-se durante uma semana Adolf Eichmann, numa espécie de retiro espiritual. No livro dos hóspedes, relata Trost, há ainda, de seu próprio punho, o agradecimento pela estada e hospitalidade, a expressão de uma intensa experiência e de um emocionado vínculo. Treue um Treue, fidelidade pela fidelidade, escreveu Eichmann no livro do convento em 7 de maio de 1934. O tecnocrata do massacre ama a meditação, o recolhimento interior, a paz dos bosques, quem sabe também a oração.

Cláudio Magris, Danúbio. Companhia de Bolso, 2008, tradução: Elena Grechi e Jussara de Fátima Mainardes Ribeiro

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