terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Advogados nada Ilustres - Pierre Pathelin


A farsa mais duradoura da literatura francesa, Maistre Pierre Pathelin, foi representada pela primeira vez por volta de 1464, repetindo-se até 1872. Pathelin é um pobre advogado faminto de casos. Convence um negociante de fazendas a vender-lhe seis varas de pano, e convida-o para jantar naquela noite a fim de receber o pagamento. Quando o comerciante chega, Pathelin está de cama ardendo em fingida febre, e afirma nada saber a respeito das varas ou do jantar. O comerciante sai indignado, encontra o pastor de seu rebanho, acusa-o secretamente de dispor de vários carneiros e convoca-o perante um juiz. O pastor procura um advogado barato e encontra Pathelin, que o aconselha a fingir de idiota e a responder a todas as perguntas com o bé do carneiro. O juiz, iludido com os bés e atrapalhado pela mistura de queixas do comerciante tanto contra o pastor como contra o advogado, proporciona à França uma frase célebre ao pedir a todas as partes: Revenons à ces moutons – Voltemos a esses carneiros; e por gim, desesperando de extrair qualquer lógica da confusão, encerra o caso. O triunfante Pathelin pede a sua paga, mas o pastor responde apenas “bé” e o mentiroso esperto é enganado pelo simplório. (...) Rabelais deve ter rememorado Pathelin quando imaginou Panurge, e Molière reencarnou Gringoire e o autor desconhecido desta peça.

A Reforma (História da Civilização, VI), de Will Durant, p. 85. Record, 2002. 

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