quarta-feira, 19 de outubro de 2011

The Sense of an Ending, de Julian Barnes

The Sense of an Ending by Julian Barnes (Knopf Jacket)

Random House
2011
144 p.

What you end up remembering isn't always the same as what you have witnessed.

O livro acaba de levar o Man Booker Prize 2011. Barnes já havia integrado quatro shortlists e agora, finalmente, recebe o mais importante prêmio literário inglês. Li pelo Kindle, e a Editora Rocco ainda não definiu a data da edição brasileira.

History is that certainty produced at the point where the imperfections of memory meet the inadequancies of documentation.

Tony Webster inicia falando de sua juventude, com seus amigos Alex e Colin. Um grupo mediano, “comum”. Na escola conheceu Adrian Finn, um sujeito de classe social bem mais elevada, além de mais inteligente que seus colegas; alguém que já havia lido Camus e discutia abertamente nas aulas de literatura com uma superioridade que impressionava a todos. Nesta época, todos se chocam com o suicídio de Robson, que havia engravidado a namorada – “Sorry, mum”. Mas eles crescem, cada um vai para seu canto e perdem o contato. Adrian, claro, vai para Cambridge.

Mais tarde, Tony inicia um namoro com Veronica, que fica dentro das normas da época – sem sexo completo. Uma viagem desastrosa à casa dos pais da garota – Tony fica absolutamente desconfortável na presença do pai e do irmão de Veronica e jamais se esquecerá desse final de semana – e depois o fim do longo relacionamento. E eis que o inteligente e superior Adrian reaparece, fica com Veronica (que passa a ignorar Tony) e depois, inexplicavelmente, comete suicídio.

It strikes me that this may be one of the differences between youth and age: when we are young, we invent different futures of ourselves; when we are old we invent different pasts for others.

Quarenta anos depois Tony, divorciado, e agora com seus sessenta e tantos anos, passa esse período em revista ao descobrir que recebera um legado de cerca de 500 libras da mãe de Veronica - que ele apenas encontrara na sua desastrada vista à casa da ex-namorada - alem da notícia da existência dos diários de Adrian.

That memory is what we thought we’d forgotten.

Tony redescobre ter enviado uma carta transbordando grosserias para Veronica e Adrian, algo que agora o envergonha. Logo ele, um homem pacato, amigo da ex-esposa, um sujeito verdadeiramente “comum” e que jamais fizera algo contra alguém.

Em menos de 150 páginas, Barnes consegue mostrar culpa e remorso; o passado como um evento incerto e não sabido; os truques que a memória lhe prega. Como Veronica, agora, o assombra: You still don’t get it. You never did, and you never will.

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