terça-feira, 28 de junho de 2011

Um Violinista no Telhado


 

No feriado, assistimos com as crianças à mais nova montagem da dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho, em cartaz desde maio no Rio: o musical, de Joseph Stein e baseado em contos de Scholem Aleichem (Tevye e suas Filhas). Nos últimos anos, uma série de produções da Broadway passou a ser montadas por aqui, sempre pela dupla, demonstrando não apenas a existência de público como também de atores e demais profissionais de alta qualidade.

Anatevka é um shtetl fictício - os shtetls eram vilarejos predominantemente judeus espalhados pela Europa Oriental, principalmente na Rússia, Bielo-Russia (não consigo escrever Belarus), Polônia e Ucrânia, até o início da Segunda Guerra, quando foram dizimados. Lá vive Tevye, o leiteiro, interpretado por José Mayer, sua família e vizinhos. Tenta desesperadamente manter as tradições judaicas das ameaças cada vez mais próximas do mundo que o cerca. Personagens como a casamenteira, o rabino, o mendigo, o açougueiro, não poderiam estar de fora. 


As três filhas mais velhas de Tevye irão se casar:  Tzeitel, com Motel, o filho do alfaiate (pobre, como a família da noiva); Hodel, com Perchik, comunista, de Kiev e que acabará preso na Sibéria (e a filha abandonará a todos, provavelmente para sempre, para acompanhá-lo) e, por fim, Chava,  com um russo, Fryedka, que lhe empresta livros e não concorda com a política oficial em relação aos judeus. O que não impede que, para Tvye, isso seja o fim do mundo. Tradição...Tradição...



A história se passa em 1905, e a vida judaica está ameaçada pelo crescente caos que se espalha pelos últimos anos da Rússia czarista. Para variar, os judeus são associados a tudo o que não funciona no Império Russo. Isso não impede uma certa simpatia, verdadeira, da parte do oficial do exército que alerta Tevye que uma operação contra o shtetl se aproxima, e que os judeus serão expulsos de lá. Um pogrom, em resumo. O oficial, aliás, se vê entre algo que não chega a ser uma amizade e os deveres que o Estado lhe impõem.

Por fim, o pogrom é executado – ouvimos os barulhos das casas sendo destruídas, sem nenhuma cena explícita. E, mais uma vez avisados pelo oficial russo, abandonam para sempre Anatevka, partindo para os mais variados destinos: Polônia, França, América.

Para completar, o conto de Aleichem sairá traduzido por Jacó Guinsburg, pela editora Perspectiva, com o título Tobias, o Leiteiro. Já está, é claro, na fila...


(O Violinista, de Chagall - 1912-13). Chagall nasceu também em um shtetl, Vitebsky, na Ucrânia

4 comentários:

  1. Sensacional!!!! Adorei este musical, que consegue ser, ao mesmo tempo, cômico e dramático, nos proporcionando uma sucessão de sentimentos em quase 3 horas de espetáculo. Vale levar as crianças na matinê. Os meus adoraram!!! Parabéns ao Rio de Janeiro, minha terra amada e distante, que, cada vez mais, vem confirmando sua posição no cenário nacional como pólo cultural, o que me enche de orgulho!!!!!

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  2. Maravilha de blog cultural! Te sigo.

    abraços

    Lu Cavichioli

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