sábado, 14 de maio de 2016

Dom Quixote - II

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 Mas que livro é esse que está junto dele?
– A Galatea, de Miguel de Cervantes – disse o barbeiro.

A destruição da biblioteca de Dom Quixote é encarada pelos seus autores como uma boa ação em prol da saúde mental do leitor. É um dos momentos capitais da história e também um dos mais divertidos.

Novamente Cervantes aparece não como o autor, mas um personagem.

O barbeiro e o cura, ao decidirem quem iria ao fogo e quem seria salvo, destacam "um livro que propõe algo e não conclui nada". E esperam pela segunda parte - que jamais seria publicada. Apesar disso, e com Amadís de Gaula (o melhor livro sobre cavalaria, disse o barbeiro)o clássico catalão  Tirant lo blanc,  Galatea, de Cervantes, é salvo -  Cervantes , afinal, é grande amigo do cura.

Todo o resto apenas levou o fidalgo à loucura e, portanto, deveria ser eliminado

Massimo Bontempelli (1879-1960) criou o barão Raimundo della Valle, que  dedicou sua curta existência a "colecionar coleções". O barão não teve a "sorte" de Dom Quixote, que tinha o cura e o barbeiro para eliminar de sua biblioteca os livros considerados "perigosos" à sua sanidade mental. E sua mania por coleções termina por matá-lo.

Machado de Assis foi tremendamente influenciado por Cervantes - seja na forma como se dirige ao leitor, diretamente, seja na falta de confiança que esse mesmo narrador nos passa. E algumas associações são frequentes. Como Simão Bacamarte, de O alienista - que vê loucura em cada comportamento humano, de modo que irá acabar internando toda a cidade.  

Faltou-lhe também um personagem para eliminar sua "biblioteca de malucos".
 

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