sábado, 14 de setembro de 2013

Vidas Provisórias, de Edney Silvestre



Vidas Provisórias
Edney Silvestre
Editora Intrínseca, 2013
240 p.

Depois de dois romances pela Record, Edney Silvestre lança este terceiro pela editora Intrínseca. Abaixo, o booktrailer:



- Quando chegar a Santiago você se vira, com seus amigos comunistas que fugiram para o Chile. Vai dar aula, vai cantar nas esquinas, pede uma pensão de exilado, se vira, Neguinho. E foda-se.

Enfiou o capuz de novo na cabeça do irmão.

Paulo ouviu seus passos saindo da sala, a porta se abrindo e batendo.

Seria a última vez que veria seu irmão, pensava.

Estava enganado.

Paulo é um dos meninos de Se eu fechar os olhos agora; adulto nos anos 70, acaba preso, torturado e finalmente exilado. Mora na Suécia, onde conhece Anna, da Anistia Internacional, mas continua assombrado pelo que viveu no Brasil. Acaba casando e tendo dois filhos, Edward e Joseph. 

Num corte de décadas, a outra personagem é Bárbara - que apareceu em A felicidade é fácil. Exilada, também, mas de outra natureza - está nos Estados Unidos, depois das trapalhadas do governo Collor e da violência que assolava (assola) o país. Ela entra como uma argentina, Bárbara Jannuzzi (sim, nos anos 1990 ficávamos com inveja dos argentinos e seu dolarizado país). Acha que vai estudar; acaba virando faxineira, convivendo com prostitutas brasileiras. E nunca aprende o inglês.

O livro de Paulo e o livro de Bárbara. Os relatos vão se alternando, com uma criativa solução gráfica adotada pela editora. O ritmo, como nos outros livros do autor, é sempre acelerado; Também como nas outras ocasiões, Edney Silvestre usa momentos históricos como pano de fundo; seus capítulos são sempre curtos.. No caso de Bárbara, há ainda Silvio, sujeito que vai definhando devido à AIDS. Ele também está nos Estados Unidos.

A provisoriedade está nesta vida de imigrante - Bárbara é ilegal e, como sempre, não tem coragem de ir à rua, sempre pensando no serviço de imigração. Paulo é exilado - e, para piorar, seu irmão é agente da repressão - sempre temendo um retrocesso. Também tem vários nomes - Nelson, não o almirante, insiste, mas o cantor.

Há a saudade do Brasil - o que obviamente inclui o "sanduíche de lombo com abacaxi do Cervantes, de madrugada, na rua Prado Júnior, em Copacabana, no meio das putas, dos boêmios e dos cineastas"...

As duas histórias irão se encontrar ao final, momentos depois dos ataques ao WTC. Esperamos que seja a indicação de um próximo romance.




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