terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A Carta de Stefan Zweig

Stefan Zweig se suicidou em 1942. Agora, a Biblioteca Nacional de Israel disponibiliza sua carta de despedida, encontrada pela polícia de Petrópolis, guardada e vendida à Biblioteca pelo legista. Veja aqui.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Conto da semana, de Georgi Gospodinov



Da antologia organizada por Aleksandar Hemon (BEF 2010), And All Turned Moon, do búlgaro Georgi Gospodinov. A história de Castor P. que, um dia, já bastante cansado de tudo, resolve morrer.

Nada de muito surpreendente neste mundo imaginado por Gospodinov. Um planeta povoado de réplicas envelhecidas de Angelina Jolie e Brad Pitt; onde há muito tempo já não existe o que se costumava chamar de natureza (as abelhas desapareceram e, com elas, as árvores e flores). As estações do ano já não existem mais.

Logicamente, a burocracia permanece mais viva do que nunca. Assim, apesar de Castor possuir um plano de saúde que lhe garantiria ainda mais 55 anos, decidiu que, aos 79 (mesma idade de seu pai e seu avô) já não tinha mais o que fazer por aqui.

Logo, o Escritório Central dos Últimos Desejos e o Departamento para Finalização da Existência na Terra são as repartições a que todos devemos nos reportar nestes momentos. Basta preencher alguns formulários e aguardar o prazo regulamentar de 2 meses, quando a data da morte seria finalmente marcada.

E assim faz Castor P., que trabalhara no telescópio espacial europeu no longínquo ano de 2011. Também havia se unido a um grupo de verdes radicais contrários aos biocombustíveis. Seu último desejo era enviar uma carta de reconciliação ao seu filho (que em momento algum dá as caras). A memória do pai - a quem também escreve - e as lembranças do mundo "antigo" o levam à decisão.

Gospodinov oferece um universo distópico num texto que às vezes beira a ficção científica. Já a burocratização da morte faz lembrar alguns contos de Jaroslav Hasek (que se utiliza mais do humor e da ironia).

Editora Patuá comemora 1 ano

A Virada, de Stephen Greenblatt



Li pelo Kindle. Esse livro deve sair no Brasil em 2012, pela Companhia das Letras, como A Virada. Stephen Greenblatt é conhecido como o autor de livros sobre Shakespeare (Como Shakespeare se tornou Shakespeare). Um livro de “não ficção” como só os americanos (e ingleses) sabem escrever, e que nos prende a atenção como se estivéssemos lendo um romance dos bons.

No início do século XV, depois de séculos sofrendo de fome, guerras e peste, a Europa Ocidental tentava respirar. Os humanistas iniciavam as buscas pelos originais gregos e latinos que se perderam durante a Idade Média.

Greenblatt conta a história de Poggio Bracciolini, secretário papal (numa época em que os papas eram assassinados ou depostos), e sua busca pelas bibliotecas dos mosteiros na Alemanha e na Suíça de rolos de pergaminho perdidos. Em 1417, no sul da Alemanha, provavelmente em Fulda, descobriu o poema Da Natureza das Coisas (De Rerum Natura) de Lucrécio, discípulo de Demócrito e de Epicuro. Este texto, para Greenblatt, é seminal para a Renascença: no momento em que o rolo foi recuperado, o mundo mudou para sempre.

Lucrécio foi um filósofo epicurista no Império Romano; para ele, a alma não sobreviveria à morte do corpo; todo o universo é composto por infinitas partículas mínimas, indivisíveis (muito prazer, é o átomo!).

Um universo formado por átomos. E só. Combinações ao acaso, sem nenhum designer inteligente ou criador. Lucrécio antecipou a física moderna e até mesmo as teorias de Darwin, influenciou Giordano Bruno e Galileu. Ao contrário do que se pensava, não estávamos no centro do universo – seja ele concebido física ou espiritualmente.

Greenblatt mostra como esta corrente surgiu e foi deturpada pelas religiões monoteístas – afinal, se a alma não sobrevive ao corpo, para que todas aquelas construções teológicas? E como foi feito o “jogo sujo” para desmerecer a ideia. Epicuro foi associado ao hedonismo, o que é um erro. Ele entendia que todas as religiões eram desilusões cruéis, e que a vida não deveria ser vista como sacrifício, mas sim como redução de sofrimento. Não haveria vida após a morte, julgamento ou algo parecido. A alma, diz, é tão mortal quanto o corpo.

A despeito de todos os riscos envolvidos nesta empreitada – e Greenblatt contextualiza a atuação de Poggio e a instável situação política da época, em que qualquer descuido poderia levar à fogueira. No final, Poggio conseguiu, com suas habilidades políticas – além de se destacar pela qualidade de sua caligrafia – salvar-se e também preservar o texto.

Um lançamento para 2012 desde já esperado.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Uma pergunta de Jonathan Safran Froer


São crianças, com freqüência, que querem ter cães. Em um estudo recente, quando solicitadas a citar os 10 “indivíduos” mais importantes de suas vidas, crianças entre 7 e 10 anos incluíram uma média de dois animais de estimação. Em outro estudo, 42 por cento das crianças de cinco anos de idade mencionaram espontaneamente seus animais de estimação em resposta à pergunta ‘Quem você procura quando está triste, zangado, feliz ou quando quer contar um segredo?’. Quase todos os livros infantis na livraria que frequento tem animais como protagonistas. Mas a alguns passos de distância, quase todos os livros de culinária incluem receitas para o cozimento de animais. Haverá um exemplo mais claro do nosso relacionamento paradoxal com o mundo não humano?

(Minha vida de cão)

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Conto da semana, de Vera Helena Rossi



É de Vera Helena Rossi, do livro Mind the Gap (Editora Patuá, nossa parceira) o conto da semana – As caixas de papelão da família A. Almeida.

Nossa casa, como se espera de uma casa, abriga um lugar por vezes sombrio, onde é guardado nosso passado, talhado em papeis, quinquilharias, objetos inúteis e mais um sem número de peças inutilizadas do cotidiano. Mantemos o local [que se resume a várias caixas de papelão desequilibradas no quarto dos fundos] intocável, atordoados com a sua existência, que, ainda assim, se exibe diariamente contra nossa vontade.

É claro que esse lugar não se resume às caixas de papelão; são memórias que de alguma forma assombram toda a família, um verdadeiro depósito de ontens (grande expressão).

Parece que todos na casa tem um grande respeito pelo depósito de ontens, mas tia Gina parece destemida, resoluta a “arrumar” as caixas, ou seja, arrumar o seu passado. Um passado empoeirado que, em princípio, pode atiça a sua renite.

Esqueça – dizem todos. Esqueça as tralhas por causa da renite mas também do passado. Mas a insistência da tia só vai ser vencida quando, subitamente, grita. Por que? Na verdade, ninguém nunca soube exatamente a razão...

Sem dúvida, dizem todos, é melhor não mexer naquilo.

Afinal, se as caixas continuam no quarto dos fundos, perturbadoras e malcheirosas, que lá permaneçam. Continuamos nós com nossas vidas, incomodados, é verdade, mas alheios ao cheiro de mofo do que já passou.


GUERRA E PAZ (2)

Colored painting showing Napoleon on a white horse and General Rapp galloping towards Napoleon to present the captured Austrian standards.

O Livro 1 termina com a surra que os russos e austríacos tomaram de Napoleão em Austerlitz. O Livro 2, com suas 600 páginas, começa com Rostov voltando para casa, em Moscou, sendo recebido com entusiasmo pela família. 

Um momento tocante é a morte da princesa Lisa, ao dar à luz. "Eu amava vocês todos, não fiz mal nenhum a ninguém, e o que vocês fizeram comigo? Ah, o que vocês fizeram comigo?", dizia o seu rosto encantador, sofrido e morto. Num canto do quarto, alguma coisa pequena, vermelha, soltava pios e grunhidos nas mãos brancas e trêmulas de Mária Bogdánova. 

Só cinco dias depois o pequeno príncipe Nikolai Andreitch foi batizado. E o príncipe Andrei, arrasado.

Pierre, por sua vez, agora rico, casa-se com Helena, o que se revela uma tremenda estupidez. Acaba se envolvendo em duelos e por fim é apresentado - com entusiasmo - à maçonaria, e se deixa convencer com a conversa do Grande Arquiteto...

Atenção também ao trecho da caçada ao lobo, em 14 de setembro. A descrição do evento rende 30 páginas. Os cães são galgos - e eles dizem que, por isso, não são cães.

Andrei volta à ativa; uma semana depois, (...) era membro do comitê de elaboração do estatuto militar e, algo que jamais esperara, chefe de uma seção da comissão legisladora. Por um pedido de Speránski, ele se encarregou da primeira parte do Código Civil e, com a ajuda do Code Napoléon e Justiniani, trabalhou na elaboração da seção Direitos da Pessoa.


O Livro se encerra com a passagem do cometa de 1811-1812, e a aproximação de Pierre e Natasha Rostova.




sábado, 11 de fevereiro de 2012

Conto da semana, de Giulio Mozzi



Novamente a imperdível antologia Best European Fiction, edição de 2010: Carlo não sabe como ler, de Giulio Mozzi.

O conto não chega a ter um enredo; é mais um de ensaio sobre a leitura, a memória e a imaginação. Interessante para quem acabou de ler o ensaio de Orhan Pamuk e está no meio do romance por excelência – Guerra e Paz.

Em determinado momento, Carlo fala da (sua) leitura como um sonho. Quando se fala dele, fala-se daquilo que se sonhou realmente ou se acaba por acrescentar novos elementos, como se no momento em que falássemos estivéssemos acrescentando novos ingredientes àquilo que temos em mente?

Quando se encontrou com um dos seus escritores favoritos, Carlo conta-lhe de sua predileção por uma determinada passagem – que o autor não se lembra e ainda diz que, se de fato escreveu aquilo, não tinha importância.

Em um conto que comentamos aqui, o tradutor “melhora” os livros originais sobre os quais trabalha, com imenso sucesso. Aqui, o leitor “cria” para si próprio – e para os amigos para os quais fala de seus livros.

Um amigo lhe diz: você não vasculha a sua memória para nos contar do que leu; você explora uma outra região, totalmente nova... Por fim, ele resolveu criar um Diário de Leitura, onde fala dos livros que lê não por meio de palavras, mas de desenhos.

Carlo não reconhece palavras porque não as enxerga; ele cria “filmes” em sua cabeça, à medida em que lê romances. Como fala Mozzi, se na página está escrito “porta”, ele “vê” uma porta. Afinal, lemos para quê? Como? Ainda que excelentes livros tenham gerado excelentes filmes – e o primeiro que me vem à mente é O Processo de Orson Welles - será possível dizer que podemos ler todo e qualquer romance como um filme em nossa mente? Definitivamente, acho que não...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Uma historinha de R.

Da novíssima safra - R.(de 9 anos) escreveu esta historinha, que coloco aqui:


A SORTE


Era uma vez belas sereias. Elas adoravam jogar A SORTE. Um dia elas jogaram e deu um problema: Alice jogava certo e Mariana a culpava de jogar errado. Já ia dar briga mas Helena parou tudo com uma simples arma: a conversa. Assim a noite ficou mais tranquila. FIM.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O Artista (2012) de Michel Hazanavicius


Dirigido por Michel Hazanavicius, o filme vem sendo bastante elogiado pela crítica. Hollywood, 1927. A história de um famoso artista do cinema mudo, George Valentin (Jean Dujardin) que assiste ao fim de uma era, com a chegada do som. Uma fã, Peppy Miller (Bérénice Bejo), que inicia sua carreira, no princípio como figurante, até se tornar uma estrela. 

Um grande momento do filme é justamente um pesadelo que Valentin tem com o som - e assistimos a diversos sons, culminando com o estrondo de uma pluma que encosta no chão.

E, como não podia deixar de ser, o ator se reconstroi, ajudado pela nova estrela e seu par, como astro de filmes de sapateado, que iria chegar ao auge nas décadas seguintes.

Como disse, a crítica elogiou bastante - e com razão - mas, a julgar pela sala de cinema na pré-estreia, acho que não deve emplacar com o público, principalmente se não levar os Oscars principais ("um filme francês, preto e branco e mudo?"). Uma pena...

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Il Medico e lo stregone (1957) de Mario Monicelli

E mais um filme de Monicelli, O Médico e o Charlatão, de 1957, com Marcello Mastroianni como o Dr. Franceso Marchetti e Vittorio de Sica como Antonio Locoratolo. 



Um médico que chega a uma pequena cidade para implementar políticas de saúde para a população, que se agarra aos conhecimentos do curandeiro local. 

Entre suas seguidoras mais fieis, Mafalda (Marisa Merlini), que acredita que seu marido ainda está vivo - desaparecido desde 1942 no front russo. No primeiro encontro com Marchetti, a primeira rusga: Mastroianni dá a entender que o marido está morto, deixando-a profundamente ofendida. É o primeiro choque entre as duas culturas.

Alberto Sordi aparece no final, como o tal marido (Corrado).


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

La Grande Guerra (1959) de Mario Monicelli

Depois de muito tempo, a Biblioteca volta ao cinema - ou melhor, à locadora. A Grande Guerra (1959) de Mario Monicelli, parece ter encontrado o ponto entre o humor e o drama como poucas vezes se viu. Faturou o Leão de Ouro de Veneza. 

A Itália tinha pactos com a Alemanha e a Áustria desde 1882, mas às vésperas da Guerra de 1914/1918 já havia se aproximado da Inglaterra e da França, em busca de territórios ao norte. O filme mostra o conflito com os austríacos.

Durante o fascismo, os filmes retratavam o conflito como era de se esperar - de forma idealizada, romantizada. Monicelli, anos depois, dá uma visão bem diferente. 

Oreste (Alberto Sordi) e Giovanni (Vittorio Gassman) se conhecem na fila do recrutamento. Este paga ao primeiro, que era soldado lotado no departamento médico, para escapar da convocação, mas é enganado. Apesar disso, os dois se tornam amigos, e passam a servir juntos. 

Há momentos cômicos, como a apresentação do Tenente Gallina - cujo nome faz com que todos no front comecem a cacarejar:


Ou quando uma galinha (a própria, de penas) fica entre as trincheiras italianas e austríacas; cada lado tentando atrai-la para garantir o jantar.

E há outras dramáticas, como, no final, a que os dois são capturados pelos austríacos - um, valente até o fim; o outro, covarde até o último momento.




Conto da semana, de Gonçalo Tavares

Gonçalo Tavares (1970) é um dos grandes nomes da literatura portuguesa contemporânea. Li e recomendo Um Homem: Klaus Klump e A Máquina de Joseph Walser. ambos publicados pela Companhia das Letras. Saramago dizia que não se podia permitir que alguém escrevesse tão bem com (então) 35 anos. Nestes dois romances, há algo que lembra a escrita de Kafka.

O conto da semana, no entanto, integra O Senhor Calvino, publicado pela Casa da Palavra, 2007. E este Senhor Calvino "devorava" as palavras; de tanto comê-las, acabou com uma "irrupção alfabética".

O Senhor Calvino, com um guardanapo, limpava, cuidadoso, os restos de letras que ainda permaneciam à volta da sua boca, mas por vezes uma ou outra escapava. Depois daquele almoço, por exemplo, um A ali ficara, teimoso, no lado direito do queixo.

Calvino, olhando-se agora ao espelho, não pôde deixar de admirar a capacidade de resistência daquela letra aos anteriores enérgicos movimentos do seu guardanapo, e observava então aquele A como quem observa um alpinista agarrando-se desesperadamente para não cair. De fato, aquela letra parecia resistir, e como que pedia, Calvino pensou mesmo nessa palavra - compaixão.

Calvino naquele dia decidiu fechar os olhos. Algo o comovera em toda aquela cena.

E assim saiu à rua com a consciência plena de que tinha um A, um pequeno A, no lado direito do queixo.

Várias pessoas cravavam os olhos naquela irrupção alfabética, e a Calvino não passava despercebido o modo como alguns desconhecidos se controlavam, no último momento, para não lhe dizerem: desculpe, mas o senhor tem um A a cair do queixo! Mas ninguém teve coragem para tal.

Por ele nada faria para apressar esse acontecimento: quando as circunstâncias o determinassem o A cairia do seu queixo. Calvino decidira deixá-lo pois à sorte e ao natural atrito do mundo.



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

GUERRA E PAZ (1)




A edição da Cosac Naify, caprichada como sempre, conta com a tradução de Rubens Figueiredo, a primeira diretamente do russo. Um grande livro grande, que cobre a Rússia de 1805 a 1812, cobrindo as guerras com a França – mas nunca a elas se resumindo. A infinidade de personagens, reais ou não, assusta qualquer um, mas a edição apresenta um glossário com os personagens reais. Uma vantagem é que Tolstoi procura expor amplamente as qualidades – e defeitos – de seus personagens, o que, de certa forma, facilita a vida do leitor.

Uma curiosidade: estávamos até então acostumados e submetidos a traduções feitas a partir de versões francesas. Mas nesta, fica evidente que – estamos no século XIX – a nobreza russa fala mesmo é o francês – há parágrafos inteiros; diálogos e cartas escritas originalmente neste idioma. E isso com Napoleão batendo à porta...

O Livro I tem 610 páginas. A história se inicia em São Petersburgo, 1805, Pierre é o filho ilegítimo do conde Bezukov, que o reconhecerá no leito de morte (há uma menção ao advogado da família, Dmitri Onufritch, que não sei se repetirá), deixando-lhe sua imensa fortuna. 


Anthony Hopkins é Pierre (BBC, 1972)

Seu amigo, o príncipe Andrei Bolkonski, servirá na campanha na Áustria, sob o comando de Kutuzov. É um oficial idealista:

 Kutuzov

Era um dos raros oficiais no estado-maior que tinham o máximo interesse em estar a par do andamento geral das operações de guerra. Ele fará questão de ir para a frente de batalha.

Natasha Rostov ainda é uma criança, mimada e acostumada a ser o centro das atenções.

Napoleão, apesar de tudo, não parece ser levado muito a sério. Andrei, aliás, assim se refere a ele – e sobra também para os alemães:  - Bonaparte nasceu com boa estrela. Seus soldados são ótimos. Além do mais, começou atacando os alemães. Só os preguiçosos não vencem os alemães. Desde que o mundo é mundo, todos vencem os alemães. E eles não vencem ninguém. Só vencem uns aos outros. Bonaparte fez a sua glória em cima deles (p. 223). Logicamente, ainda naquele mesmo século, os alemães começariam a ser levados a sério...

Na segunda parte, vemos os mínimos detalhes da guerra – Tolstoi estudou profundamente a campanha russa. Andrei e o conde Nikolai Rostov ocupam essa parte, que conta ainda com o próprio Napoleão – no final, Andrei, ferido, é levado à presença do imperador, que elogia sinceramente os inimigos.

O príncipe Andrei, entre outros feridos desenganados, foi entregue aos cuidados dos habitantes locais.